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Petz'a'hoy

Publicado a 25/02/2012, 05:30 por Paulo Soledade   [ atualizado a 25/02/2012, 05:32 ]
No teatro, originalmente, e depois também no cinema, TV e outros meios, há uma parede invisível à qual se chama 4ª parede. A 4ª parede separa o público da acção e ela é invisível porque de facto, não existe. 

Quando a realidade da cena se aproxima da realidade 'real', quando a peça, a série de TV ou o filme se juntam mais ao público e ao espírito crítico do espectador é, sempre, quando essa 4ª parede é derrubada. Ela nunca é derrubada completamente mas fica a sensação de ter sido esbatida. Não é difícil pensarmos quando e como isto acontece. Imaginemos um filme com um narrador. O narrador serve para esbater essa parede. Ela líga-nos ao enredo e nós passamos a ouvir alguém (narrador) a contar-nos uma história como se ele (o próprio narrador) fosse como nós. E aí pensamos ser possível o narrador ser real. A parede é quebrada. Algumas séries que todos conhecemos fazem isso excepcionalmente bem. O The Office ou o Castle, por exemplo. Castle não tem narrador mas tem uma personagem de um livro. A personagem do livro baseia-se na personagem (para nós) real, a detective da história. Ela não é real,claro mas, como existe o livro, a parede é quebrada e ela passa a ser real para o espectador. Começamos a vê-la como alguém como nós e aumentamos, imediatamente e de forma automática, o nosso julgamento de tudo o que estamos a ver e, sobretudo e o mais importante, o nosso envolvimento com o enredo.

Com os jogos, era aqui que queria chegar, é o mesmo. Tirem-me a 4ª parede e eu consigo pensar neles com algum sentimento crítico e envolvo-me. Mostrem-me um conjunto de coisas ficcionadas e eu desisto. A culpa até é minha mas eu tenho essa abordagem com a maioria dos jogos que jogo, admito a fraqueza.

Dungeon Petz tem um tema que, todos perceberão pelo título, é completamente abstruzo e sem senso. Nada me promove experiência alguma 'real' de coisa nenhuma. Digamos que, apesar de termos um jogo que pode até ser feito de mecanismos muito interessantes e mesmo, arrisco dizê-lo até neste contexto, coerentes, não deixa de ser uma patetice pegada. E é tudo tão parvo tão parvo que, à medida que a 4ª parede vai engrossando mais e mais só penso em desistir daquilo.

Joguei-o uma vez. Ontem. Mais ou menos a meio da jogatina, a parede ruiu completamente. Porquê? Por causa da quantidade de merda que o jogo tem. Não há nada mais real que uma quantidade cavalar de merda para derrubar uma parede daquelas. E julgo que foi isso que o salvou. Merda de jogo passou a pouco mais que jogo de merda. Divertiu o suficiente para não ter deixado perdida a noite e, para os que se estão a cagar para a 4ª parede, talvez valha a pena. Embora eu continue a achar que a merda não salvou tudo!

Nota: com merda 6/10; sem merda 3/10;

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