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Tempo de jogos

Publicado a 27/04/2011, 06:45 por Paulo Soledade   [ atualizado a 27/04/2011, 08:11 por Nuno Sentieiro ]
Os dias estão difíceis para jogar. A disponibilidade é diferente daquela que existia há algum (nem tanto) tempo atrás. Quer seja porque as crianças estão em idade de atrapalhar mais, as mulheres em idade de exigir mais, o tempo em idade de existir menos. Tudo isto tem arruinado o nosso alucinante ritmo de jogo e começamos a descuidar os nossos afazeres, até para com os leitores deste site. A era do despesismo acabou e o que há para gastar agora é mais cintadinho.

Temo que o ritmo dos festins tarde em voltar. Andamos de cabeça baixa, a pensar nas proverbiais contas da vida e percebemos que somos obrigados a não cair na rasquice dos que nos governam (governaram) com - essa sim - implacável demagogia e incompetência! Se eu hoje jogo menos, a culpa é do governo. Disso não tenho dúvidas apesar do estúpido que possa parecer. Mas eu não estou a falar do governo em particular, estou a falar de um governo generalista que funciona mais ou menos como os canais de TV também generalistas - intervalos grandes demais entre os programas, horários sempre ao sabor dos ventos e programação de classe Z!

O tempo que agora nos escolhe (sim, já não somos nós que escolhemos o tempo) deve ser então medido com muita razoabilidade e pesando todos os prós e contras que isso possa implicar. Perder toneladas de minutos a jogar um jogo que não presta devia acabar de uma vez por todas. É muito difícil deixar um jogo a meio mas, tem de começar a acontecer mais vezes. Já jogo jogos há muito tempo mesmo. As minhas recordações de infância transportam-me para um Outono diferente quando o meu pai me trouxe o Monopólio. Desde esse tempo, conto pelos dedos de uma mão os jogos que não terminei. Mesmo que tivesse sofrido! E sofri! Hoje, dedico-me mais a jogar que a fazer outra coisa (ou dedicava-me até há pouquíssimo tempo!) e tenho de começar a anular os jogos mais cedo. Prestas, continuo. Não prestas, baza! 

Resolvi criar a minha própria agência de rating e declinar alguns jogos que classifico de junk! Para lhes emprestar o meu tempo, tenho de subir os juros. Quem é que me devolve o tempo de um jogo de merda (pode-se dizer merda não pode?!)? Cobrar, não menos, nunca em circunstância alguma, de meia hora por cada hora medíocre de jogo, é o mínimo exigível. Vou começar uma petição para que os jogadores de todos os países se unam em uma só voz e acompanhem este meu pensamento. Deixo-vos com esta mensagem que, espero, carreguem convosco até ser preciso vir o FMI dos jogos: 
Joguem menos. Joguem melhor!


Rating dos últimos jogos...

Key Market - CCC+
Kaigan - AA

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