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Guerra de Ideias


 
Nada de especial a acrescentar aqui.
Basicamente tentarei adicionar algo sobre os jogos que vou jogando.
 
O principal serão mesmo os jogos de guerra, mas podem aparecer outras coisas.
 
Temas de jogos, estratégias,  opiniões, queixas, etc... pode aparecer de tudo. A ideia é mesmo ir aparecendo, ou então isto não faria sentido.
 
 Vão dando um saltinho, as novidades podem aparecer quando menos esperam ;)  

Evangelização – Spreading the boardgames

Publicado a 24/04/2015, 06:00 por Carlos Ferreira

Quem me conhece sabe que não sou grande fã de andar por aí a “evangelizar”. Não sou contra quem o faz, mas também não me mexo para o fazer.

Temos o nosso grupo (não interessa qual) e esses são aqueles com quem gosto de jogar. Temos gostos parecidos, apesar de não sermos um grupo homogéneo, mas no fundo no fundo a nossa “cena” é a mesma, se bem que os gostos específicos de jogo possam ser diametralmente opostos. Pode parecer complicado, ou até um pouco esquizofrénico, mas acho que vocês percebem onde quero chegar.

Sim, eu sei que se não existir este trabalho qualquer dia não temos ninguém com quem jogar e o hobby, que já não tem uma comunidade muito forte ou grande, acaba por morrer, mas…

Serve esta introdução para enquadrar o que me tem acontecido nos encontros semanais por terras de Lisboa.

Tenho jogado com malta porreira, isto quando jogo, mas, por exemplo numa destas quartas nem sequer cheguei a jogar. Ainda me convidaram para 1 ou 2 jogos, mas eu fiz questão de declinar. Sim eu sei que sou esquisito, mas há certos limites que eu não ultrapasso.

Sim, e nem sequer tenho jogado com gente nova que aparece por lá.

Os encontros têm tido muita gente (a maioria que eu nem sequer conheço), mas os jogos que estão na mesa… ui meu Deus, os jogos, MEDO!!!

É uma característica que me parece avolumar-se quando está muita gente nova no hobby no mesmo lugar. A qualidade/peso dos jogos desce a pique.

O meu “grupo” de wargamers anda desaparecido, logo tenho que investir noutra área, mas por vezes não consigo. É um defeito meu, reconheço. Chamem-me elitista, mas há coisas que eu não quero nem experimentar.

Esta quarta joguei com malta muito porreira (Marco, Rafael, Rui e Sofia), que conheço, mas que não jogo assim com tanta regularidade. Três jogos que nunca tinha jogado e depois de terem acabado percebi porquê. Talvez esteja a ser um pouco duro, mas são certamente jogos que eu nunca compraria e além disso jogos que nunca me lembraria de propor.

Joguei um Aladdin’s Dragons do aclamado autor (inclusive com um Jogo do Ano) Richard Breese. O jogo não é mau e com o grupo certo (que até pode ter sido o caso) até pode ser divertido, mas OK. Já está no currículo.

Um Hanabi do também afamado Toinito (Bauza). É uma experiência interessante, mas basta.

E um Trader. Um joguito de cartas que a pares é interessante. Talvez o mais interessante dos 3 jogos da noite, por muito que isto possa parecer chocante.

 Isto tudo para dizer o quê? Ok, evangelizem, mas não me metam nesse ambiente.

Dos 35 jogos que foram jogados na última quarta-feira trocava a minha mesa por 1-2 jogos vá. Power Struggle (talvez) e o Castles of Burgundy que nunca joguei mas gostava de experimentar… mas era só isso e o Power Struggle é só um talvez. Em todos os outros preferia jogar o que joguei… e como se depreende não me deslumbraram.

Salvou-se a companhia.

Parece-me que vou voltar ao meu sistema de marcações.


Carlos Ferreira


5967

Publicado a 17/04/2015, 03:58 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 17/04/2015, 04:01 ]

5967?!?!? Porquê este título? A resposta vem mais à frente.

Sábado, é uma e pouco da tarde. O almoço já foi deglutido. É #TableTopDay. Não tenho planos para jogar e nem grande vontade, até porque o puto, que está na sesta, tinha acabado de fazer uma birra monumental. O facto de estar acordado desde as cinco e meia da manhã ajuda a explicar o facto. Não é que ele precise de desculpas.

Estou deitado no sofá a preparar-me para a minha própria sesta quando o telefone começa a vibrar incessantemente. “O que é que será agora?” penso eu. É o Tiago Duarte no Hangouts (former GTalk). E dali surge o convite. “Como é. É hoje que vens cá a casa jogar?”. O convite já tinha sido feito anteriormente várias vezes. Por este ou aquele motivo nunca tinha dado para aceitar. Quer dizer, ele também vive no deserto. É do outro lado. Na outra margem. Ou seja 25 minutos de carro. Sim eu sei que se isto fosse lido por um americano ou brasileiro serei motivo de chacota… mas cá… bem, cá é efetivamente longe.

Voltando ao convite. Na passada quarta-feira ficámos com um de 3 jogos pendurados por causa duma “revianga” do Duarte. Que ora vai ou não vai. Um desses jogos era o 1989, jogo onde o Tiago tem mais experiência que eu. Por outro lado eu da experiência que tenho acho o jogo um “quase lá”. Ou seja não é bom o suficiente, mas, sendo que é um card driven não me ficaria bem recusar.

Uma conversa com a Susana e lá vou pró outro lado. Sim, atravessei a ponte. GPS ativado que aquilo por aquelas bandas é tudo igual e lá estou eu. No 105.

Uma volta de reconhecimento pela casa como é da praxe e lá chegamos nós à sala de jogo onde o 1989 já está montado.

Um resumo da tarde.
O jogo um – 1989. É equilibrado. Eu jogo do lado comunista e vou perdendo país atrás de país para a democracia. Mas ao fazê-lo vou ganhando pontos. Sim pode parecer estranho, mas acontece. Lá por volta do final do 5º? 6º? turno estou com 18/19 Pontos de vitória. O Tiago joga uma carta que lhe permite ir buscar uma carta extra ao baralho na sua última ação. É uma carta de pontuação. Oooops. Uma derrota para o democrata.

“Então, o que jogamos agora?” Ouço eu do outro lado da mesa.

“Até gostei do jogo” penso eu, “mas agora pode ser ação a sério.”

“Tenho o Wir Sind das Volk ou o Tash-Kalar” digo eu inocentemente e com o coração carregado de esperança, sem saber que vinha bomba do outro lado da barricada.

“Olha jogava outro 1989”. Bummmm. Aquele ar de cachorrinho abandonado (ou do gato das botas se preferirem) que o Tiago tão bem sabe fazer desarma qualquer um.

Jogo dois  - 1989. Decidimos trocar de lado. Desta vez eu defendo as cores da democracia e o Tiago é o comuna de serviço. Não há muito a dizer sobre este jogo. A Hungria abraça a liberdade logo no primeiro turno. No segundo a Polónia com a Solidariedade e o Walesa dão um chuto no traseiro dos comunistas com um total de 15 pontos de vitória para o democrata, moi meme, e o jogo é arrumado.

Olho para o relógio. Ainda nem são 6 da tarde. “Se calhar vai dar para jogar qualquer coisa ainda”, penso.

Eis que mais uma vez do outro lado se houve.

“Este nem valeu”.

“Nunca tinha visto isto”.

“Vamos lá a outro”.

 

Jogo três - 1989. Mais uma vez um jogo equilibrado. Eu continuo como democrata, mas desta vez as coisas já não correm tão bem. Os pontos de vitória vão-se mantendo equilibrados, mas não há maneira de convencer os polacos a abandonar os comunistas. A cada pontuação a causa democrata vai-se deteriorando. A Hungria cai. A Checoslováquia cai. A Alemanha Oriental cai, mas os outros estão agarrados às presas de urso da velha URSS. Não há muito a fazer e lá pelo turno 8 os comunistas chegam aos 20 pontos de vitória.

Pelo meio um lanche muito bom, providenciado pelo meu companheiro de jogo e pela sua companheira.

 

Uma tarde bem passada sem dúvida.

E para quem se interrogou no início sobre este título (e aguentou até aqui). Cá está. 1989 X 3 = 5967.

Para quem não gostava assim tanto do jogo. 3 de seguida (com esta idade?) até que não é nada mau.

Acho que o jogo não me “satisfazia” pois apareceu numa altura em que eu jogava twilight struggle mais vezes do que trocava de roupa interior. E o jogo apesar de na minha opinião ser inferior, não é nada mau. Nada mesmo. A minha relutância em jogá-lo está totalmente afastada. Que boa malha. E sabe bem jogar um card driven com alguém que tem a mesma ou até mais experiência que eu nesse jogo. A tensão volta aos píncaros e o gosto pelo jogo adensa-se.

Como é? Para quando uma sessão 7956, ou até quem sabe 9945?


PS: No final ainda tive tempo para trazer um arroz doce para casa, que segundo dizem estava uma maravilha.

Carlos Ferreira



Tash-Kalar - A Crítica (eventualmente)

Publicado a 09/04/2015, 15:01 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 09/04/2015, 15:04 ]

Tash-kalar é um jogo assumidamente abstrato, no entanto existe um tema associado.

Nele nós representamos feiticeiros que vamos invocando seres. E fazemos isto para?

Bem, existem 2 formas de jogo. Uma em que temos que completar determinadas tarefas que nos são pedidas pelos mestres da Arena, isto no modo mais “normal” do jogo (high form). Existe um outro modo (duel ou melee) em que estamos na arena apenas para entreter a multidão, e neste caso o que o povo quer é sangue. Assim neste caso o que interessa mesmo é destruir os seres do(s) oponente(s).

E como é que isto tudo se passa?

Simples, muito simples mesmo. Um turno de um jogador consiste em 2 ações. Essas ações podem ser apenas, colocar uma peça na mesa ou invocar uma criatura. Que no fundo, lá bem no fundo é o mesmo, se bem que para invocar a criatura temos que jogar uma carta da mão que respeite um certo padrão que esteja no tabuleiro com as nossas peças. Após invocarmos o ser ele tem sempre um efeito que executamos se quisermos ou conseguirmos. Após isso, este ser acabado de invocar é apenas mais uma peça, sem memória do seu passado glorioso onde fez… “cenas”.

Os jogadores podem ainda, mas isso não é um bom sinal, jogar uma carta de flare da mão, como uma ação extra, mas esta só pode ser executada se estiverem em grande desvantagem no tabuleiro. Por outras palavras, a levar uma coça. Estas cartas acabam por equilibrar o jogo e fazem com que nos sintamos um saco de pancada. Por vezes elas são bastante uteis e os jogadores podem colocar-se numa situação de desvantagem só para poderem jogar a sua carta e terem uma ação extra.

Existem 3 tipos de seres (peças). Comuns, que são os que colocamos sem jogar carta, embora existam também algumas cartas onde o ser invocado é apenas comum, os Heroicos,

que são a grande maioria dos invocados pelas cartas do nosso baralho e finalmente os lendários, que são seres invocados através de cartas que nós temos mas que provêm de um baralho comum. Este são os mais difíceis de invocar porque além de padrão conter (usualmente) mais peças algumas delas são também heroicas ao contrário dos outros seres invocados que requerem apenas peças/seres comuns.

No final do turno de um jogador ele vai buscar cartas até ter 1 carta de flare, 2 cartas lendárias e 3 cartas do seu próprio baralho.

O fim do jogo é ativado quando os jogadores atingem um determinado número de pontos de vitória, dependendo do tipo de jogo que estão a jogar (9 no high form e 18 no duel).



Opinião pessoal

Epá, não sei o que dizer. Eu que não sou grande fã de abstratos, pelo menos não me tenho por isso, gostei bastante deste jogo.

E porquê? pergunta o caro leitor. Não faço a mínima ideia. É que não faço mesmo. Sempre que me ponho a pensar nisso, não consigo achar uma razão válida, contudo, quero muito jogar o jogo e quando o estou a fazer estou bem, mesmo muito bem. Acho que é a luta, talvez mais comigo próprio do que com o oponente, para conseguir definir os padrões. É o achar o significado do padrão. É a destruição do tabuleiro, do oponente. É o constante olhar para as tarefas… É isto tudo e pode não ser nada disto, mas que gosto do jogo, disso não tenho dúvidas.

Além disto tudo, acho que o jogo funciona melhor a 2. Também pode ser jogado a 3 e/ou 4, mas penso que isso é mais por razões comerciais que por outro motivo qualquer. 2 e high form.

Para mim é um 8 (sólido), o que na minha escala é relativamente bom. Menos de 10% dos jogos que joguei até hoje lá chegaram :P

Carlos Ferreira


Eu tenho dois (novos) amores

Publicado a 28/03/2015, 15:13 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 28/03/2015, 15:19 ]

Eu tenho dois amores

Que nada são iguais

Mas não tenho a certeza

De qual eu gosto mais

 

Eu tenho dois amores

Que nada são iguais

Um é abstrato

E o outro tem tema até demais

 

Finalizada homenagem ao Marco Paulo vamos lá então prosar um pouco sobre estes dois amores.


O abstrato é o tash-kalar

Um jogo com regras simples e de explicação rápida mas que tem muito sumo. Como sempre e sendo um abstrato pode não reunir grande consenso e certamente não é do gosto de toda a gente.

A ideia geral é a de uma arena onde figuras míticas lutam pela sobrevivência. As figuras são invocadas e nesse momento ganham vida e fazem certas ações, mas passado este momento passam a ser meras estátuas de pedra sem grande distinção de todas as outras que já existem no tabuleiro. Para os fãs (e os outros) tal e qual como no jogo de xadrez no primeiro livro/filme do Harry Potter.

Existem padrões nas cartas que temos que conseguir no tabuleiro de forma a invocar as criaturas. Além destas cartas existem as cartas de objetivos e quando conseguimos colocar as nossas peças em determinadas situações reclamamos uma dessas cartas. Quando um jogador chega aos 6 pontos ganha o jogo. Isto num dos modos de jogo. Existem outros modos, mas esses ainda não os joguei. Ficam para uma outra altura em que dedique um texto apenas a este amor.

 

O temático é o Wir Sind das Volk!

Um jogo sobre a vida na Alemanha durante o período da guerra fria. Os jogadores vão jogando cartas com eventos de forma a desenvolver 1 das alemanhas e tentando que a sua Alemanha seja mais forte e próspera que a do seu oponente.

Com uma duração de 4 décadas e uma fase especial em cada uma das décadas onde cada jogador vai tentando provar que a sua Alemanha é melhor que a do outro. Num estilo muito, a minha pilinha é maior que a tua.

A revolução é uma ameaça constante em qualquer uma das regiões e os jogadores terão que sobreviver às exigências do seu povo bem como ao olhar de todo o mundo.

A forma como se desenvolvem economicamente e criam bem-estar para o seu povo são fundamentais para que se sobreponham aos seus vizinhos.

Um jogo bem diferente de todos os que joguei até hoje. Definitivamente um jogo inovador e onde as opções que os jogadores enfrentam a cada carta são relevantes e por vezes até agonizantes. Tensão não lhe falta!!!

 Fica prometido um texto para cada um destes jogos em próximas intervenções.

 

Maravilhoso jogão, maravilhoso

Meu companheiro nos caminhos desta vida

Ambos sofremos muitas horas de tristeza

Mas partilhámos os momentos de alegria


Carlos Ferreira



Rockwell

Publicado a 20/03/2015, 06:49 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 20/03/2015, 07:43 por Carlos Ferreira ]

Na passada quarta-feira (18.03.2015) tive a oportunidade de experimentar o Rockwell.

Começo já por dizer que o jogo não é brilhante, que não é, mas supera o patamar de interessante J

E então lá vamos nós de broca debaixo do braço desbravar este jogo.

Bem a ideia é que representamos uma empresa de exploração e que vamos perfurar a terra para encontrar minerais (ou para os mais puristas, cubos de madeira de várias cores) de grande valor. Com isso vamos ganhando prestigio, que no final dará a vitória a quem tiver mais J Simples.

Já agora e falando em final. O jogo disputa-se ao longo de várias rondas e termina quando a maioria dos jogadores chega ao centro das terra ou quando um jogador atinge um determinado número de “achievements”.

Não me vou debruçar muito sobre as regras. São 12 páginas que se leem muito bem.

Basicamente o jogo é um worker placement. A parte da mineração é a mais interessante e o motor do jogo. Embora não seja cooperativo (longe disso) os jogadores terão que trabalhar em conjunto para poderem rebentar as várias secções da terra.

O jogo é bastante simples mas com alguma estratégia. Fiquei bem impressionado com este título, que confesso que, apesar de já ter ouvido falar, nunca tinha tido sequer a curiosidade de experimentar. Não tem nada de especialmente inovador, mas parece bem oleadinho.

Merece certamente um revisita.

Carlos Ferreira

Caixa de reclamações


Kohle & Kolonie

Publicado a 10/03/2014, 10:26 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 11/03/2014, 08:00 por Spiel Portugal ]


Nota prévia: Para quem nunca jogou o Kohle & Kolonie algumas coisas que aqui vão ser escritas/lidas podem não fazer sentido… ignorem.
A passada semana foi bastante produtiva em termos lúdicos. Não pela quantidade mas pela qualidade.

Consegui finalmente jogar o Kohle & Kolonie. Tinha o jogo para lá em casa desde Essen e mais por preguiça do que por outra coisa qualquer, o jogo foi ficando a ganhar pó. Na passada segunda meti mão à obra, ou neste caso olhos às regras e em conjunto com o Sentieiro e o Soledade agarrámos o boi pelos cornos.

Para primeiro jogo não foi nada fácil, pois o livro de regras (pelo menos o inglês) não é nada amigável, mas lá fomos desbravando mato. Ao final de 3 horas o sentimento era misto… “Parece bom, mas não sei” Como diria o outro… “há qualquer coisa em ti que me irrita.”

Após uns dias a reler regras e a consultar o BGG, na sexta voltámos a colocar o bicho na mesa, desta vez acompanhados pelo Andrade.

Mais uma vez com uma outra regra para limar, mas a ideia geral que ficou no final (e desta vez até demorou menos de 3 horas, apesar de haver um novato na mesa) é que o jogo é bom, com algumas pequenas imperfeições. Para já irritam apenas, no futuro logo se verá.

A ideia básica é que nós somos industriais com investimentos na área mineira do Ruhr alemão. Compramos e gerimos minas bem como as zonas adjacentes a estas. Somos também responsáveis por gerir a rede ferroviária que serve as minas.

Para breve explicação isto basta.

A ideia básica é que durante o jogo temos 10 acções para executar, mas no fim são bem mais que isso. Sendo que cada acção é vital para o desenrolar do jogo por vezes o AP instala-se na mesa. Não é agradável, mas isso representa bem o quão importantes são as parcas acções que temos ao nosso dispor.

O sentimento que se gera durante o jogo é de tensão algo que a mim me agrada de sobremaneira. Estamos sempre a contra que o jogador anterior não compre aquela mina, não ocupe aquela localidade que nós queremos ocupar ou não use os trabalhadores de certa zona. A interacção não é directa mas está lá em quase tudo.

Isto é o que me agrada mais no jogo. Existe um sentimento de crescimento. O dinheiro é SEMPRE escasso. Falta sempre mais uma acção, etc… Faz-me lembrar o Brass, se bem que os jogos sejam MUITO diferentes e não comparáveis em termos de mecânicas e até talvez de genialidade. Este Kohle não tem nada de novo mas está bem arranjadinho. As coisas encaixam. Vale por certo a pena experimentá-lo.

Agora vamos para aquilo que me faz mais espécie.

Já referi o AP. Não me incomoda assim tanto, mas provoca o prolongar do jogo. Se bem que durante todo o tempo tens que estar a pensar nele. Não há lugar a desvios e faltas de atenção.

O que me irrita mais são algumas decisões de desenho. 

O facto dos bónus dos comboios estarem escondidos não só aumenta a aleatoriedade do jogo como no meu entender lhe retira poder estratégico. Porquê?!?! Porque é que eles são voltados para baixo? Se estivessem à mostra o sitio para onde te deslocas não era apenas baseado na linha que ocupas mas também pelo bónus que lá existe. O local onde colocas os teus settlements para facilitar a deslocação dos mineiros pelas linhas férreas não era apenas o sítio onde tinhas mais pontos de vitória mas também onde estão os bónus que mais te interessam. Além disso para teres os melhores bónus e aproveitar os settlements ao máximo isso poderia também influenciar as minas que ias comprar. Então, pergunto eu mais uma vez. Porquê?!?! Porque é que os bónus são escondidos.

A outra coisa que me irrita são os tiles de desastre. Nada contra eles e a forma como saem. Por mim até aqui tudo bem. Mas porque não acrescentar mais 1 ou melhor… mais 2. Todos os jogos seriam diferentes, pois só usas 5. Mas como tens apenas 5, nos 2 últimos turnos já sabes o que lá vem. Se tivesses mais 1 ou 2 essa informação não era conhecida, pois por jogo terias 1-2 que ficavam de fora.

O que não me incomoda, mas pode incomodar outros (isto pelo que ouvi :P)

Os desastres que saem do saquinho. Eu gosto da mecânica. Acho-lhe piada até. Em determinados grupos (que não o nosso) até pode ser giro se ninguém proteger as suas minas. Nós protegemos sempre tudo e só quando 1 não consegue é que coloca lá o seu disco, que geralmente acaba por se lixar. Isto faz com que as licitações do “governo” sejam sempre de baixo valor. Caso contrário o jogo seria bem mais tramado.

A ordem de turno, especialmente a do 1º turno. A que existe antes de se escolherem os bónus. Bah… não a acho assim tão relevante, claro que eu não fui o último, mas… Não me parece significativo.


E basicamente é isto. O jogo na minha opinião vale muito a pena. Experimentem e digam de vossa justiça.

Carlos Ferreira



Fix para o Martelo de Halifax

Publicado a 30/12/2011, 12:38 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 18/01/2012, 13:24 por Nuno Bizarro Sentieiro ]

Boas notícias para todos aqueles que gostam do A Few Acres of Snow.
 
Ainda hoje tinha falado no meu artigo que provavelmente não jogaria mais o jogo caso não corrigissem o erro. Parece que o Sr. Wallace leu o que eu escrevi e colocou um post no BGG para tentar corrigir o erro.
Para quem "ainda" não sabe, o jogo A Few Acres of Snow apesar de ser um excelente jogo estava broken, o que ao que parece é uma coisa má. Nomeadamente os Ingleses ganhavam sempre o jogo ao conquistarem Quebec.
 
Assim e sem mais demoras, aqui seguem as regras alteradas para tentar evitar este desfecho:
 
  - A carta de bateaux do deck inicial do Francês é removida e passa a ficar nas cartas de Império disponíveis.
 - Não é permitido colocar cartas de Localidade na Reserva.
 - Os raids passam a ter um alcance maior. A primeira carta permite chegar imediatamente a 2 localidades de distância. As cartas adicionais continuam a aumentar a distância em apenas 1, como acontece actualmente.
 - A carta de Home Support não permite baralhar o deck. Ou seja, só se vão buscar as cartas que já lá estão. Se estiverem menos de 3 cartas então só se vai buscar esse número de cartas. O baralho só é "reiniciado" no fim do turno, caso esteja exausto e sem cartas suficientes para restabelecer em 5 o número de cartas na mão.
 
Agora vou ter que me "desdizer" e voltar a jogar :D
 
Carlos

As melhores estreias de 2011

Publicado a 30/12/2011, 07:07 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 02/01/2012, 12:43 por Nuno Bizarro Sentieiro ]


Este segundo artigo de “reflexão” debruça-se sobre os melhores jogos que eu experimentei em 2011 e isto significa que NÃO são necessariamente os melhores jogos editados em 2011.

Seguindo a ordem de experimentação, para não estar a criar nenhuma “escala” aqui seguem:

1 – Strike of the Eagle – Joguei pela primeira vez este jogo em Fevereiro, uma versão de playtest que fiz em casa e muito trabalho me deu. O que posso dizer é que valeu totalmente o esforço. O jogo apesar de ser muito parecido com o The Eagle and the Star, tem alguns pormenores bem interessantes e agora que tenho a versão final, posso dizer que os componentes são muito bons. Um CDG multiplayer que se joga numa noite. Vale muito a pena.

2 – Inca Empire – Mais um remake, desta vez do Tahuantinsuyu e este foi experimentado pela primeira vez em Março. Este jogo apresenta também algumas diferenças, sendo que a mais relevante é o facto de ter deixado de ser um crayon onde as estradas eram feitas com riscos pelo mapa e agora as estradas são peças de Madeira. Parecendo que não, só este facto permite reduzir o tempo de jogo. Também as cartas deixaram de ter texto e passam a ter símbolos. Quase tudo o resto é igual, mas o jogo continua a ser bom.

3 – World War II: Barbarossa to Berlin – Em Abril joguei pela primeira (e única para grande pena minha) vez este jogo que é bastante similar ao Paths of Glory, mas onde a acção é a frente Leste da Segunda Guerra Mundial. Um jogo de equilíbrios e de sofrimentro inicial dos soviéticos, mas que depois dão a volta assim que os reforços vão aparecendo no mapa. Preciso de jogar isto rapidamente.

4 - A Few Acres of Snow – O grande jogo de 2011. Joguei-o pela primeira vez em Agosto. Como já referi no post anterior foi uma paixão passageira, mas que marcou. Enquanto não arranjarem uma solução para o martelo (e sugestões são o que não falta no BGG) não me estou a ver jogar isto muito mais vezes.

5 – Washington’s War – Foi em Outubro (InvictaCon) que joguei pela primeira vez este jogo. Já tinha jogado o original (We the People) 2-3 vezes, mas este tem algumas diferenças importantes e que fazem dele um excelente jogo para iniciar as pessoas nos CDG.

Além da lista de 5 jogos existem ainda algumas menções que gostava de fazer. To The Last Man!, 1889 e Empire of the Sun foram jogos que joguei apenas 1 vez e que não me sinto muito confortável para classificar, mas que deixaram sem dúvida nenhuma uma pulga atrás da orelha. Vamos ver se os consigo colocar na mesa alguma vez em 2012.

Dos 5 jogos destacados 3 são “remakes”… hum, mau sinal para o mundo dos jogos? Ou apenas para mim?

[Comentários]

2011 - O que joguei

Publicado a 28/12/2011, 03:56 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 28/12/2011, 05:40 ]

Chega aquela altura do ano em que se fazem balanços e revisões. Sendo assim estou a pensar em iniciar uma série de posts sobre o meu 2011.
Para iniciar pensei em destacar aqui os jogos que mais apareceram na mesa durante este ano. Sendo assim, aqui vai !!!
Hoje ainda vou jogar (a correr bem!!!) mas o jogo será uma das estreias de 2011 que serão cobertas num próximo artigo.
 
1 - A Few Acres of Snow - Com 24 partidas este foi claramente o jogo que mais joguei em 2011. A primeira vez que o joguei foi em Agosto e neste mês e Setembro joguei-o 16 vezes. Foi paixão à primeira carta. Depois da tão discutida táctica do Martelo de Halifax a paixão desvaneceu-se. Mesmo assim continua a ser um jogo maravilhoso. Talvez não seja tão jogado em 2012... talvez. Com a chegada do seu irmão "multiplayer" já anunciado pelo Sr. Wallace pode ganhar nova vida. A ver !!!
 
2 - Labyrinth: The War on Terror 2011- ?? - 19 jogos deste titulo. É um grande jogo que tem um tema muito bom e que está maravilhosamente implementado. 11 jogos em Junho fizeram dele o grande jogo do Verão. Não teve mais partidas pois o jogo acima destronou-o. Vejo mais hipóteses para este jogo de voltar à mesa que o anterior. Isto até chegar o Andean Abyss. Um jogo do mesmo criador. Com um tema diferente e também multiplayer.
 
3 - Twilight Struggle - Um clássico. Com "apenas" 9 jogos em 2011. Este é um daqueles jogos que está sempre pronto a ser jogado. O #1 do BGG torna-o sempre apetecível para achar "novas vítimas". Penso que por mais listas anuais destas que faça este é um daqueles jogos que figurará sempre lá. Não há muito mais a dizer.
 
4 - Paths of Glory - Se o anterior era um clássico o que dizer deste. 8 partidas em 2011 e já 2-3 agendadas para 2012. O meu #1. Este jogo tem alguns (muitos) detalhes brilhantes. O jogo que pode não ser o melhor simulador da Grande Guerra, mas tenho poucas dúvidas que é o melhor JOGO sobre o tema.
 
5 - Liberté - O nosso clássico está de volta. 7 jogos em 2011. Com a adição de mais um membro aos revolucionários Franceses, este jogo volta a ganhar folêgo nas noites Leirienses. 1 hora de pura diversão e discussão na varanda. Bem vindo de volta.
 
Espero muito de 2012!!!
 

O que eu quero em 2012

Publicado a 20/12/2011, 03:34 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 20/12/2011, 03:40 ]

Existem alguns jogos que estão na "calha" para 2012 e que eu espero com grande expectativa.
Alguns até já esperava que tivessem saído em 2011, mas isso são outros 500. Bem aqui segue a minha lista de Wants para o próximo ano, ordenada por expectativa e baba derramada:
 
1 - Sturm Europa! - Um jogo de blocos que cobre todo o teatro Europeu durante a Segunda Guerra Mundial. Este jogo já está para sair há 2 anos. Vamos esperar que seja em 2012. Além da parte militar existe também um confronto político e uma arvore tecnológica, o que só vem apimentar mais este CDG. Nunca mais sai :(
 
2 - Angola - Guerra Civil Angolana. Este jogo criado em 1988 já está para reprint há mais de 2 anos, com o número de pedidos a passar a marca dos 500 há mais de 1 ano. Infelizmente as prioridades da produtora não vão para este produto. Já existe uma luz ao fundo do túnel. As cartas já foram enviadas para impessão. Paciência!!!
 
3 - Crusade and Revolution: The Spanish Civil War, 1936-1939 - Outro jogo da mesma produtora (MMP). Neste tenho que confessar que as minhas expectativas de produção do jogo durante 2012 são muito reduzidas. Este jogo será uma "cópia" do Paths of Glory mas onde o tema é a Guerra Civil Espanhola. 
 
4 - 5 - Dois jogos da GMT que irão sair no primeiro trimestre de 2012. Virgin Queen e 1989: Dawn of Freedom. Quanto a estes não preciso de dizer muito mais, uma vez que até já publiquei 2 previews dos jogos em causa. Estes jogos são colocados em último, pois estes tenho a certeza que serão produzidos. Quanto aos outros... tenho mesmo que acreditar.
 

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