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Kohle & Kolonie

Publicado a 10/03/2014, 10:26 por Carlos Ferreira   [ atualizado a 11/03/2014, 08:00 por Spiel Portugal ]

Nota prévia: Para quem nunca jogou o Kohle & Kolonie algumas coisas que aqui vão ser escritas/lidas podem não fazer sentido… ignorem.
A passada semana foi bastante produtiva em termos lúdicos. Não pela quantidade mas pela qualidade.

Consegui finalmente jogar o Kohle & Kolonie. Tinha o jogo para lá em casa desde Essen e mais por preguiça do que por outra coisa qualquer, o jogo foi ficando a ganhar pó. Na passada segunda meti mão à obra, ou neste caso olhos às regras e em conjunto com o Sentieiro e o Soledade agarrámos o boi pelos cornos.

Para primeiro jogo não foi nada fácil, pois o livro de regras (pelo menos o inglês) não é nada amigável, mas lá fomos desbravando mato. Ao final de 3 horas o sentimento era misto… “Parece bom, mas não sei” Como diria o outro… “há qualquer coisa em ti que me irrita.”

Após uns dias a reler regras e a consultar o BGG, na sexta voltámos a colocar o bicho na mesa, desta vez acompanhados pelo Andrade.

Mais uma vez com uma outra regra para limar, mas a ideia geral que ficou no final (e desta vez até demorou menos de 3 horas, apesar de haver um novato na mesa) é que o jogo é bom, com algumas pequenas imperfeições. Para já irritam apenas, no futuro logo se verá.

A ideia básica é que nós somos industriais com investimentos na área mineira do Ruhr alemão. Compramos e gerimos minas bem como as zonas adjacentes a estas. Somos também responsáveis por gerir a rede ferroviária que serve as minas.

Para breve explicação isto basta.

A ideia básica é que durante o jogo temos 10 acções para executar, mas no fim são bem mais que isso. Sendo que cada acção é vital para o desenrolar do jogo por vezes o AP instala-se na mesa. Não é agradável, mas isso representa bem o quão importantes são as parcas acções que temos ao nosso dispor.

O sentimento que se gera durante o jogo é de tensão algo que a mim me agrada de sobremaneira. Estamos sempre a contra que o jogador anterior não compre aquela mina, não ocupe aquela localidade que nós queremos ocupar ou não use os trabalhadores de certa zona. A interacção não é directa mas está lá em quase tudo.

Isto é o que me agrada mais no jogo. Existe um sentimento de crescimento. O dinheiro é SEMPRE escasso. Falta sempre mais uma acção, etc… Faz-me lembrar o Brass, se bem que os jogos sejam MUITO diferentes e não comparáveis em termos de mecânicas e até talvez de genialidade. Este Kohle não tem nada de novo mas está bem arranjadinho. As coisas encaixam. Vale por certo a pena experimentá-lo.

Agora vamos para aquilo que me faz mais espécie.

Já referi o AP. Não me incomoda assim tanto, mas provoca o prolongar do jogo. Se bem que durante todo o tempo tens que estar a pensar nele. Não há lugar a desvios e faltas de atenção.

O que me irrita mais são algumas decisões de desenho. 

O facto dos bónus dos comboios estarem escondidos não só aumenta a aleatoriedade do jogo como no meu entender lhe retira poder estratégico. Porquê?!?! Porque é que eles são voltados para baixo? Se estivessem à mostra o sitio para onde te deslocas não era apenas baseado na linha que ocupas mas também pelo bónus que lá existe. O local onde colocas os teus settlements para facilitar a deslocação dos mineiros pelas linhas férreas não era apenas o sítio onde tinhas mais pontos de vitória mas também onde estão os bónus que mais te interessam. Além disso para teres os melhores bónus e aproveitar os settlements ao máximo isso poderia também influenciar as minas que ias comprar. Então, pergunto eu mais uma vez. Porquê?!?! Porque é que os bónus são escondidos.

A outra coisa que me irrita são os tiles de desastre. Nada contra eles e a forma como saem. Por mim até aqui tudo bem. Mas porque não acrescentar mais 1 ou melhor… mais 2. Todos os jogos seriam diferentes, pois só usas 5. Mas como tens apenas 5, nos 2 últimos turnos já sabes o que lá vem. Se tivesses mais 1 ou 2 essa informação não era conhecida, pois por jogo terias 1-2 que ficavam de fora.

O que não me incomoda, mas pode incomodar outros (isto pelo que ouvi :P)

Os desastres que saem do saquinho. Eu gosto da mecânica. Acho-lhe piada até. Em determinados grupos (que não o nosso) até pode ser giro se ninguém proteger as suas minas. Nós protegemos sempre tudo e só quando 1 não consegue é que coloca lá o seu disco, que geralmente acaba por se lixar. Isto faz com que as licitações do “governo” sejam sempre de baixo valor. Caso contrário o jogo seria bem mais tramado.

A ordem de turno, especialmente a do 1º turno. A que existe antes de se escolherem os bónus. Bah… não a acho assim tão relevante, claro que eu não fui o último, mas… Não me parece significativo.


E basicamente é isto. O jogo na minha opinião vale muito a pena. Experimentem e digam de vossa justiça.

Carlos Ferreira