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Nada Pessoal



Nada pessoal... apenas as vicissitudes do jogo e o jogo em si, embora menos. 
Textos e desabafos sem nexo, ataques pessoais e mau feitio. Com as habituais metáforas e anões oleados. 
O costume... sim, o costume. 
Opinião, com "pê agá" nada neutro.

#nbs#


                                                                                                                  

GotW #495

Publicado a 03/04/2015, 14:32 por Nuno Bizarro Sentieiro   [ atualizado a 03/04/2015, 15:01 ]



1- Before your first game…


Portugal. The eighties. A young shy kid likes to play. Hates to lose. Get’s lost, a lot.  
Games, never board games, mainly soccer, video games, floppy disks, 1 of 3, competitive, insert coin, release the anger, small town, friends and family, first. 
History. Books, old books. Journalism. Old news. 
Wrong generation complex. Beer. Pearl Jam.

2- Carefully remove the tiles from their frames…

Paulo invited me over for a Saturday of games. Play Station, PES. With some friends. Home. 
Routine.  Strange “games with pieces and rules” emerged. Handle with care. Frustration. Overthinking. Dreams. What’s next ? There’s more ? Game on.

3- Place the game board on the center of table…

Write. Study, blog. Play !
Rules. Research. There’s more ? Play, play.
“Spiel” - Portugal - the perfect circle.
There are more ? Convention, Leiria(Con). Geek. Geeks, Board Game Geeks.
Game of the Year, choices, opinion, Play, play… play !

4- Advanced rules only…

Essen. The World. Home. Designers. Friends.
Smile. Play, play… wait ?
Why not… Design ? Beer. Books. Old books, research. Overthinking. Dreams.
Prototypes, words, numbers and words.
Madeira… Panamax… Nippon… Shower mechanics.

5- It all goes back in the box…

Board Games. Geek. Community. Friends. Family.
“Look, there's no metaphysics on earth like chocolates” and boardgames.
Play. REC.

#nbs# - 
HERE



Through the Nations

Publicado a 09/11/2013, 07:10 por Nuno Bizarro Sentieiro   [ atualizado a 09/11/2013, 07:50 ]


Sexta-Feira, pós Essen. Regresso emotivo aos jogos, às regras, ao cartão. Primeira paragem, Nations. Nascem Civilizações na mesa fria, palco montado, Let the games begin !

"- E depois isto faz isto, como no TTA."

I- Entrada fácil no jogo, sentimento de deja vu, começar pequeno - faz sentido. Alimentar o motor da civilização... hum... vou por aqui... Cai a ficha - ok, isto dá pontos como no TTA. Apostar num cavalo, colocar as fichas no preto e... VERMELHO !

"Militar - red catchup"

II- A estratégia Militar (como no TTA) é estupidamente poderosa. Em Nations, o militar não chega a ser uma estratégia, é antes, uma obrigação. Ordem de turno, despojos da guerra, Eventos, quase tudo depende daquela tabela. Perceber isto ao segundo turno, deixa qualquer jogador fora do jogo. O jogo deveria ter um aviso na caixa: "- Não recomendado a crianças com menos de 3 anos e suba na tabela militar!"

STRIKE ONE !

"Uma civilização pastelona"

III- Afastado o fantasma da guerra, o jogo segue na cabeça de cada um dos jogadores. Solitário, estratégico, a máquina está montada, colher os frutos do planeamento (como em TTA), volta a fazer sentido, chega a parecer bom, fluído. E agora a produção:
"-COMO ? 60 minutos dentro da minha civilização passei a produzir 2 Pedras e 3 de dinheiro ? mas isto é uma civilização ou meia dúzia de okupas  a fazer malabares nos semáforos ?"

"Chamem-me quando for eu a jogar"

II II- Entretido mas cada vez menos interessado o jogo vai perdendo os seus jogadores com a passagem das horas. Mais uma palete de cartas, será que é agora que muda o paradigma, sim !!!
- Vou buscar esta carta, faço aquilo e depois ganho isto (como no TTA) e a civilização começa a crescer, subo na tabela, aumento a população e depois O MUNDO ! Gasto isto, compro aquilo e... 
4 pedras e 5 de dinheiro... #$%&/() !

STRIKE TWO !

"240 minutos - 3 wonders - 4 tropas e 5 edifícios depois... you are OUT"

V- No final, o sentimento de civilização é assim como criar um bicho da seda numa caixa de sapatos, nos dois primeiros dias estás sempre a olhar para a caixa, a preocupar-te com a folha de alface e a ver o bicho enrolar-se nas teias de um casulo fascinante, depois, 240 minutos depois, esqueces-te do amendoim de seda no frigorifico e já só queres que saia de lá alguma coisa... mesmo que seja um grilo... e quando finalmente acontece ... pffff... tanta coisa para isto... e quem é que limpa esta M#$% ?
Lembrem-me de nunca jogar este jogo (ou o TTA) a cinco jogadores. Nations é a dois, 3 no máximo, sabendo que o grilo de seda vai demorar a sair do amendoim. É engraçado esperar que saia, divertido dar-lhe a folhinha de alface, mas não esperem borboletas.

Legenda:
Nations = TTA
TTA = Through the Ages

#nbs#



Mrs Santa

Publicado a 26/11/2012, 17:19 por Nuno Bizarro Sentieiro   [ atualizado a 26/11/2012, 17:20 ]

O presente do Secret Santa do BGG chegou hoje, e é isto:


Obrigado e adeus.
:P




Spiel'11 - Uma espécie de rescaldo sem jogos

Publicado a 25/04/2012, 10:58 por Spiel Portugal   [ atualizado a 25/04/2012, 11:05 ]


147 000 Visitantes, 750 novos jogos, 810 expositores, 34 nacionalidades diferentes, 48% de expositores estrangeiros (não alemães), 4 dias na maior feira mundial de jogos de tabuleiro - Essen Spiel 2011.

I - Primeiro Impacto

Essen é uma cidade típicamente alemã, cinzenta com calções verdes, de edifícios espessos e avenidas largas. O metro é funcional desde 1930 e os taxis exibem taxímetros futuristas nos retrovisores - mas "enough about that".
O complexo da Messe Essen é imponente - descontextualizadamente moderno - exibe-se altivo, orgulhosamente só, no início da cidade como quem vem... à chegada a habitual fila para entrar - sem pressas - organizada, mas impaciente.

II - Essen pelo avesso

Assim que entramos na feira, somos recebidos por portas de fato alcatifado e gravatas vermelhas que nos dizem coisas em alemão. Sorrimos e damos de cara com os seres amarelos Spielbox que nos esticam a mão e oferecem uma revista que, assim que a perdemos, se torna extremamente útil.
Se for o teu primeiro ano na feira - não te esqueças de usar o bengaleiro para guardar as tuas tralhas - terás uma engraçada lição de vida de escola económica vigente.
O Pavilhão de entrada o enorme 12 - nota que qualquer correspondência com a verdade é mero acaso, uma vez que nunca soube a planta da feira e perco-me constantemente no seu interior, fingindo sempre um deambular seguro e objectivo ao passar pelo mesmo sítio uma segunda vez - fica repleto, com uma barreira cerrada de mochilas e sacos do Ikea (mais sobre estes sacos dentro de 27 linhas). Para o visitante experimentado e demasiado geek, este é o dia. Recolher pre-orders, correr para a "booth" da editora que esgota, fazer o check in com os amigos, trocar aquele jogo que trouxeste na bagagem de mão com  o tipo do BGG que tem como avatar uma criatura monstruosa de machado na mão e que na verdade pesa 34 quilos e usa os óculos do Pessoa, ser o primeiro a ver a TUA "aposta pessoal"...

III - Depois de almoço

Na Alemanha come-se muito bem. Infelizmente, no self-service da feira não. Pelo menos existe sempre uma escolha difícil entre a bolonhesa com sabor nórdico e os panados com porriolas amarelas (vide imagem à esquerda - a outra esquerda). Depois de almoço e de uma dose de água com preço de gasolina com bolhinhas, o quebranto ! Pela primeira vez vais sentir uma moleza de siesta e uma sensação de "por que raio é que eu tou tão cansado se não fiz nenhum?" - mas fizeste, e esta sensação vai-te acompanhar nos próximos 3 dias. "Onde é a editora X ? - Deixa-me ver na revista que me deram à entrada... "#$% !"

IV - Listas horizontais

O visitante preparado traz sempre uma lista, ou várias listas, com prioridades, hierarquias, preços referência, coordenadas... grande parte da feira é passada a jogar às escondidas com a(s) tua(s) lista(s). Encontrar pechinchas na feira é fácil, dá trabalho, existe sempre um preço melhor do que o último, mas na primeira visita a Essen perderás certamente horas a encontrar "aquele jogo" a preço de saldos de fim de estação. Mais tarde perceberás que, no que diz respeito a board games, se um jogo está muito barato a probabilidade de servir de acendalha num Inverno rigoroso é muito grande. Mas o que é que isso interessa quando "por 5 euros isto nem paga o cartão!". Sacos do Ikea cheios, novidades, pechinchas, freebies, casacos ("- eu é que não sou parvo.") é altura de pousar a trouxa e deixar sair o animal social (salvo seja).

V - O animal social

Os primeiros cafés (depois dos últimos 3), conversas, rever amigos, apertar mãos, ajudar no stand.pt, trabalhar (sim em Essen também se trabalha - e é bem giro quando te apercebes disso), esbanjar humilde conhecimento, humilhar pessoal que trabalham nos stands (experimentem perguntar, por exemplo, a um tipo que trabalhe na Hans im Gluck se te pode explicar o que raio é aquele jogo de título esquisito "caprisone?"), assinar jogos, ver o knizia ao longe (diz que se pega...), jogar uns joguinhos...(NOT ! ehehehhe... por incrível que pareça, em Essen, quem gosta apaixonadamente de jogos não tem tempo, nem vontade de jogar.). E quando nos altifalantes a senhora gorda cantar mas em alemão vais perceber que entraste no último turno sem que a tua estratégia tivesse tempo de brilhar.

VI - After Hours (ours)

Chegar ao hotel depois do primeiro dia na feira é mágico ! Tirar os jogos do saco, olhar para as caixas, com tempo e olhos de criança pelo Natal, resistir durante 30 segundos, abrir as caixas,  retirar das molduras as telas de cartão, o cheiro a jogo novo contagia e a pandemia instala-se por momentos. Mas é hora de jantar e um novo ritual começa. As nacionalidades congregam-se à mesa. As típicas cervejarias alemãs servem de palco aos melhores momentos da feira. Uma espécie de after hours, onde se fala de tudo, se brinda à amizade com cerveja estupidamente à temperatura certa, pratos cheios de uma impronunciável especialidade da cozinha alemã, e ,finalmente, se percebe, se constata, que tudo faz sentido, que o espírito de grupo, de pertença, de comunidade, de interesses comum, se torna óbvio - ou talvez seja a cerveja a falar...
De regresso ao Hotel, um jogo, curto, para marcar posição, num sala repleta de jogadores com sotaque franciú. Já no  quarto, um olhar de relance e um sorriso orgulhoso para a pilha de jogos: "-Acho que ainda vou abrir "aquele" jogo..."

VII - Mais do Mesmo (mas no bom sentido)

Os dias seguintes correm como cotidiano, já sem surpresas de maior, chega a enchente de fim de semana, decoras onde é o pavilhão 5, descobres a melhor barraca de cachorros, repetes a "private joke" que resultou do último jantar até não ter piada, lembras-te de mais 10 jogos que querias mesmo, ajudas alguém a encontrar a "booth"  da editora mais independente do mundo, os jogos maus ficam ainda mais baratos, aparecem os primeiros sinais "sold out", coleccionas porcarias, perdes-te, encontras tipos "-tu por aqui!" , achas perfeitamente normal o Friese estar, verde, à tua frente, na fila para o café...

VIII - Regressos

No final, umas dezenas largas de jogos, um sentimento de dever comprido, um sorriso, cansado, nos lábios. Essen é assim, uma rotina de rituais. Sem maior novidade do que ser sempre diferente, no mesmo sítio, da mesma maneira, com protagonistas modulares, em guiões habituais mas que evoluem de forma imprevisivelmente mágica na mesma medida em que se nos revelam - em regressos.

Essen Spiel'12 - 18 a 21 de Outubro - no sítio do costume.


#nbs#  - Nuno Sentieiro

[ Comentário(s) ]



Essen - Ready for Round 2 ?

Publicado a 13/11/2011, 17:21 por Nuno Bizarro Sentieiro   [ atualizado a 18/03/2012, 14:36 ]

Mais um fim de semana mais uma viagem, mais uma voltinha,  menina bonita não paga, mas também não anda...

Três títulos ainda com sotaque Alemão saíram directos da pesada bagagem de mão para a mesa do Spiel Portugal. Decepções, expectativas baixas e confirmações em resumo, num mês pequeno - de festas - a partir de... agora:


by Friedmann Friese

Grandes expectativas neste título. Depois de um decepcionante Factory Manager e de alguns jogos menores do marido da Maria José Valério, esperava muito deste remake do famoso e, a meu ver, brilhante Power Grid.

Não podia estar mais enganado, o jogo procura capitalizar o sucesso da marca Funkenschlag partindo de uma abordagem de mercado estúpida: "- bora lá tornar isto mais rápido e com um tema que venda por si só, corta-se isto, limpa-se aquilo... e voilá - um jogo para as massas !" 

First Sparks não é um jogo péssimo - tem pormenores interessantes, decalques curiosos do original  e componente bonitinhos e tudo. Algumas ideias base do jogo - a funcionar - seriam bem giras ! Mas irrita ver um jogo bom implodir diante dos nossos olhos sem que os jogadores nada possam fazer.

O mercado dinâmico, o leilão intenso e a simulação de oferta-procura de recursos que tão bem representa o original, é aqui levada a uma extreme makeover que acaba com o que de melhor existia no motor de Power Grid - agora chovem mamutes (e não mamu-tes!), peixes bagas e ursos (acho eu...). Há de tudo e em fartura, tudo serve para fazer o máximo de coisas - e SEMPRE. E esta característica (defeito) tornam o jogo uma corrida - aparentemente sem estratégia - vazia de sentido, sobretudo, para quem, como eu, queria muito gostar deste jogo. 5/10




Alba Longa

by Graeme Jahns

Deste jogo pouco, ou quase nada, sabia. Vi umas fotos, gostei do "barulho" dos componentes e avancei com cuidado. Depois de ler as regras suspeitei que entraria na categoria do - isto não é jogo para nós... 

Alba Longa tem componente muito bons (não particularmente artísticos) numa caixa claustrofóbica, atulhada de mini tabuleiros individuais, dados esquisitos e meeples crús. 

O jogo em si tem algumas boas ideias: a mecânica de colocação de trabalhadores associada aos dados, as duas velocidades das eras, o contra ciclo das sabotagens - mas é precisamente aqui, no conceito de sabotagem, que o jogo passa a ser só para alguns.  Eu explico - O jogo termina quando algum jogador chegar a um determinado número de habitantes e monumentos.  Os jogadores "constroem" a sua mini-civilização numa base simplista de uma economia de recursos e trabalhadores. A grande (quase única) interacção do jogo vem do poder militar - da sabotagem. Os jogadores parecem ser forçados a jogar negativo de forma a estragar o jogo uns dos outros - e isso, pelo menos de forma tão ostensiva - não é para mim. 

Alba Longa propõe uma variante para suavizar este aspecto do jogo, onde podemos sabotar uma civilização neutra e ainda beneficiar com isso. Ainda assim, parece-me que o autor devia ter optado por outro caminho, por uma interacção mais óbvia, por um leque de acções mais diversas, para que o jogo não se torne num solitário repetitivo e monótono. 6/10





Last Will

By Vladimir Suchy

"In his last will, your rich uncle stated that all of his millions will go to the nephew who can enjoy money the most.  You will each be given a large amount of money and whoever can spend it first will be the rightful heir. Visit the most exclusive theatres or eat in the most expensive restaurants. Buy old properties for the price of new ones and sell them as ruins. Host a huge party in your mansion or on your private boat. Spend like your life would depend on it. Spend to become rich! If you're the first to run through the money on hand, you'll receive the rest of his inheritance – oh, and win the game."

Escusado será dizer que comprei este jogo completamente às cegas única e exclusivamente pelo tema. Com, algum receio, li as regras e contemplei de relance as cartas e os componentes (ou o que resta deles). 

Last Will é um jogo de cartas. Tem tabuleiros individuais para as colocar - e não é que até dão jeito! - um pequeno tabuleiro central onde se pratica o planeamento do jogo assente num worker (hat) placement bem simples. Ao contrário de gastar dinheiro - que faço, modéstia à parte muito bem - não sei jogar jogos de cartas. Mas isso importa menos se o jogo for entretido, cheio de exclamações, e com uma componente "party" relevante.

O jogo não é simples, na verdade, tem algumas decisões estratégicas, matemática e optimização de combos nos efeitos das cartas - mas o que é que isso interessa se tudo isso culmina numa afirmação do tipo: 
"- Agora o Gordon Ramsay vai cozinhar para mim e para o o meu cão num passeio de iate com esta senhora respeitável e um cavalo! " - e pimba já gastei 11 paus !

Divertido e um bocadinho diferente da norma do cubinho. 7/10



E ainda há mais... de preferência melhor...

#nbs#

[ Comentário(s) ]

Essen - Primeiro Tomo

Publicado a 02/11/2011, 09:04 por Nuno Bizarro Sentieiro   [ atualizado a 06/11/2011, 15:43 ]

De regresso de Essen alguns títulos começam, aos poucos, a chegar à mesa. A curiosidade aliada a pré-disposições e à disponibilidade de um sempre imperfeito quorum  levaram alguns jogos a furar a fila e chegar-se à frente. Estas são apenas breves considerações baseados em impressões de "first date".


Trajan
by Stefan Feld 

Não sou um grande fã de muitos títulos do sr Feld. Reconheço que procuram sempre aliar mecânicas originais ao género "euro" denso e estratégico - imagem de marca Alea. Essa obsessão relega quase sempre o tema e a sua implementação para patamares do "isto podia ser sobre criar porcos numa quinta do Kentucky..." 

Trajan não foge à regra - é sobre o que quiseres que seja. Conceptualmente é um exercício "masturbatório" de grandes mecânicas, algumas com um toque de génio, sempre com pequenos ajustes e detalhes que revelam precisão cirúrgica na criação de experiências de jogo. 

Com tantos jogos dentro do jogo sobressai a mecânica Mancala meets Rondel - algo tão estúpido e desnecessário que acaba por fazer todo o sentido e levar à eterna pergunta: "- Porque é que não me lembrei disto antes..." .
O jogo tem tanto a acontecer, em tantos sítios, de tantas maneiras diferentes, que deixa um sensação de deslumbre no jogador - bem como um TILT cerebral. Para domar este bicho vão ser precisos mais jogos, e um jogo que, apesar de te queimar o cérebro, te leva imediatamente a querer voltar a jogá-lo, a fazer melhor, só pode ser bom - resta saber se é MUITO bom... 8/10




Singapore by Peer Sylvester

Do designer de um grande pequeno jogo - King of Siam - Singapore tem tudo para ser um grande jogo: regras simples, tema e arte. No entanto, parece ter sido tão "polidinho" para ser "user friendly" que se tornou vazio, aborrecido e por vez desinspirado. E é pena, porque na sua génese, a mecânica base do jogo de colocar tiles e executar acções num tabuleiro-acções em evolução constante (em número e força) é muito bem conseguida.

Na verdade o jogo demora 30 minutos mais do que deveria, repete-se, vezes sem conta e as particularidades-excepções das regras, apesar de teoricamente bem interessantes, revelam-se inócuas e vazias de sentido no objectivo do jogo. 

Não que o jogo seja mau, não é, mas promete tanto que deixa aquele gostinho de "podia estar aqui um jogo do camandro" - e no final é apenas mais um eurogame para "famílias alemãs"... 6/10



 

Tournay by Sébastien Dujardin, Xavier Georges e Alain Orban

Aqui estava um dos mais aguardados do ano, pelo menos para mim. Depois do genial e refrescante Troyes, o segundo jogo da editora e do trio de designers prometia muito.

Inspirado na arte e alguns conceitos chave do seu antecessor, Tournay é na verdade "apenas" um jogo de cartas. Muitas mecânicas curiosas, muitos detalhes decalcados de Troyes, e, mais que tudo, muitos símbolos e porriolas impressas em cartas que significam muita coisa que nunca é aquilo que parece ser... Confuso ? Sim, muito confuso.

Para um jogo de cartas rápido e com decisões estratégicas, Tournay apenas cumpre no capítulo das estratégias. Perde aquilo que podia fazer dele um inacreditável sucesso - a fluidez - em símbolos e acções confusas que nem sequer num player aid bíblico se conseguem descortinar. Tem sumo QB para fazer laranjada da boa, mas acho sempre que estou a espremer maçãs ... e no final um copinho de água fresca - Luso - mas ainda assim : Água. 6/10




Old Men of the Forest by Martin Wallace

Sem expectativas, outras que não - "apesar de tudo isto é um Wallace", avancei para este joguinho de cartas despreocupado. Era para ajudar o orangotango e tudo... 

Bem giro, rápido, com uma dose de caos - talvez um pouco mais de controlo não fosse pior - e divertido. 
Por 10 euros aqui está mais um jogo de bar - na linha de Und Tchuss... para jogar com uma cerveja na mão... 6/10





Coney Island by Michael Schacht

Mais um jogo do criador de alguns dos melhores jogos de estratégia com poucas regras, rápidos e com bastante densidade estratégica. Michael Schacht volta em Coney Island a acertar em cheio na receita para o sucesso. O jogo tem turnos rápidos, decisões e tensão, diluídos em meia dúzia de regras simples que resultam num jogo médio bem interessante.

Com um tema colado a cuspo, o jogo tem como principal defeito a sua melhor característica - a rapidez e voracidade do fluxo de jogo. Os turnos são tão rápidos que damos por nós a jogar antes de nossa vez ou a gritar despacha-te ao vizinho do lado. 

Com alguns "twists" bem interessantes o jogo é bem divertido e ligeiro mas mantém a linha estratégica e interactiva características imagens de marca do autor. 7/10


Mais opiniões parvas sobre jogos - em breve... 

#nbs#



DEZOITO

Publicado a 07/09/2011, 17:56 por Nuno Bizarro Sentieiro   [ atualizado a 07/09/2011, 18:14 ]


Pôr do sol hexagonal em toalha tinta da china. Geografia de luxo cubista estendida ao artificial sol.

1,2 ... 1,2,3, quatro...

Breve dissertação sobre as regras de mercado e suas vicissitudes. Dicas - como tirar nódoas de carvão com benzeno e bom senso.

And They're Off

Espiral de fumo fugaz em tigela amarela com flocos de carvão.

Cuidado com as (menores) companhias !

Estratégias afinadas de véspera, acertos, reminiscências de um passado de jogos, motor partido.

UM

Remendos amarelos salpicam o mapa, decisões sensatas, passo atrás, pocket money...

Bolsa de Valores de país insolvente. Ajustes.

Small talk.

Cerveja de hand limit.

DOIS

Apostas. Receios de crash em atmosfera pesada. Recuos. Consolidar posições, a fuga em frente, a esquiva, o separar dos cestos pelos ovos...

E Vice-Versa, Vice...

TRÊS

Ainda verde o jogo ganha tempo e tensão. Os comboios percorrem agora afiadas lâminas em trajectos de tesouras de pontas. Mais decisões. Opiniões, os primeiros mimos... piropos, a ver se pega, a ver se pega

QUATRO

Não estava nada à espera.

Devias ser tu a fazer isso... porquê?... acabou-se a cerveja de hand limit... 

Cigarro de varanda timeout. Começa a dança dos mercados, caem desajeitadas acções, flutuam na pista da bolsa as de sempre, sem surpresas. Azuis de inveja alguns títulos são devolvidos sem talão. Saldos. Verde maduro. Tinto na língua rapazes...

CINCO

Tempera-se o tabuleiro com uma macheia de ferrugem. Nada privado tudo multiplicado a vermelho, lucro, acabaram-se os feijões. A sério. Vais “meter” para dentro? “#$%& ! a sério, a sério, a ... sério...

SEIS

Caem os triângulos nas bermudas de marca. Os comboios uivam a todo o vapor. Os brozeados caminhos de ferro carregam baterias no sol de meia-noite onde tudo se resolve descalço, sem sapatinho, em bicos de pés, no detalhe,

D

Detalhes ao quadrado. Última viagem, última voltinha... e o banco não resiste ao teste de esforço e sucumbe sem rating depois de 4 curtas horas. O vencedor foi encontrado em escudos, cem escudos, sem surpresa. 

BARÃO !

#nbs#



Alien Frontiers

Publicado a 25/06/2011, 18:05 por Nuno Sentieiro   [ atualizado a 05/08/2011, 16:24 por Nuno Bizarro Sentieiro ]

Runaway Leader ou como usar dados e ainda ter a sorte a decidir o destino do jogo... 

Alien Frontiers tem tema de agrado generalizado. Não sou entusiasta de temas espaciais - avancei com cuidado. Li com atenção diagonal o que se dizia do jogo, analisei notas space buff e vi as mais suspeitas reviews 50 estrelas - mas que raio... será? 

Comprei num impulso arrependido. Li as desconfiadas regras. 
Ontem chegou à mesa num descargo fugaz de curiosidade. 
Não volta. Fica para sempre no espaço dos jogos que podiam ter sido... 
Dados que são naves espaciais, escritores de regiões científicas, um dice placement com um medíocre controlo de área, com cartas adulteradoras de regras e com um objectivo inicial demasiado óbvio, com desfecho absolutamente aleatório... 

- Ora bem vamos ver quem tem sorte mais depressa ? 
E lá vão eles, em rápidos 60 minutos de decisões vazias num aborrecido e penoso vazio sideral... 

This is not for me !!!!! 
Insert Coin... try again... maybe not... 

Eu devia ter desconfiado mais um bocadinho... 

5/10


It's evolution baby !!!!

Publicado a 20/05/2011, 20:06 por Nuno Sentieiro



Dominant Species tem tema, ou melhor, tem uma excelente ideia para um tema: a EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES !
Tem mecânicas que, embora pouco originais, resultam em complexidade de "eurogame" exigente, à séria.
Obriga os jogadores a pensar, a fazer contas, a escolher, intimida.
Parece difícil de domar, desafia, provoca.
Denso, inteligente, pesado...

Tudo para ser épico.

Mas...

Veio um cometa e "#$%&/ tudo !

Equilibrios desequilibrados em detalhes de aleatoriedade... 

É pena...

Mas lembrou-me isto.

Podia ser pior.


Comboios, o primeiro e o último

Publicado a 12/03/2011, 08:08 por Nuno Sentieiro   [ atualizado a 27/03/2011, 14:18 ]


O último comboio para a cidade de queijo é um grande jogo.
Com excepção do setup mais estúpido do Mundo e da arte - entranhas style - é um dos jogos mais originais que já joguei. Mesmo o setup, de tão estúpido, é original e faz um bocado de sentido. A arte (ou a ausência dela) pode ser considerada objecto de culto, uma espécie de anti-arte dadaísta...
No último comboio para Nuremberga, já sem culto, ou pretensões a ele, encontramos uma espécie de arte, qualquer coisa que se assemelha a um tabuleiro e componentes das viagens de Gulliver, dois dedos de sal e pimenta do Lidl e uma dose de Macieira para a família.
Maior abrangência em número de jogadores, um mapa mais "faz o que quiseres que ainda te safas", um mini sistema de pontuação e os fantásticos cubos cinzentos de cerveja...
Continua um grande jogo mantém o cheiro a queijo, agora de pequeno almoço, e acima de tudo, dá para ver se é da Majora e surpresa: - os primeiros voltam a ser os últimos.
Um "must have" em qualquer colecção.
2-4, dois mapas, duas formas de jogar a três jogadores, uma espécie de expansão, tudo numa caixa laranja sem delírios de governo ou ilusões de oposição.
Pouca terra... pouca terra...

8/10

#nbs#

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