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Mesa pequena

Publicado a 09/06/2013, 07:48 por José Rola   [ atualizado a 10/06/2013, 07:57 por Nuno Bizarro Sentieiro ]

Há razões diferentes para pessoas diferentes adquirirem um determinado jogo. Para além dos fundamentos de gosto pessoal, que não discuto, há motivos que se apoiam num quadro de vivência do jogo de tabuleiro bem para além do mundo “gamer”. 

Confesso que me faz alguma espécie a forma algo displicente como avaliamos alguns jogos. Se o dito não é suficientemente pesado, ou não traz as nossas mecânicas preferidas, ou tem demasiado fator sorte, ou pouco… 

Contextualizar parece-me obrigatório. E sopesar os vários aspetos envolvidos, também. À partida, como em praticamente todo o produto comercial, há que atentar no aspeto da relação preço versus qualidade. Podemos ter um belo joguinho que custou 8 euros. E sim, é verdade, é um belo joguinho porque custou só 8 euros. 

O custo de um jogo não o torna melhor ou pior, mas é indiscutível que tolda o nosso juízo sobre o seu valor, enquanto oferta lúdica. É natural pois, que alguém se refira a um jogo como interessante porque, para o custo que tem, o tempo que demora e a facilidade com que se aprende, a proposta é bem interessante. E é ainda natural que esse título nem entre nas 50 escolhas preferenciais dessa pessoa.
Mais difícil de perceber é que outro alguém diga logo que o jogo é fraco, sem ter em conta todos esses aspetos que emparceiram um determinado jogo. 

Parece-me mais justo para o jogo dizer-se simplesmente se apreciamos ou não o que é proposto. Um pouco como a certificação de qualidade: um determinado produto pode ser certificado e durar pouco mais do que três ou quatro utilizações, se for precisamente essa a durabilidade que “promete”.
Esta questão entronca um pouco naquela dificuldade em classificar jogos de campeonatos diferentes. Como um Coloretto perante um Troyes, por exemplo. 

Uma vez mais, é possível estabelecer um, sempre do nosso agrado, paralelismo com os livros. Quem lê “A neta do senhor Linh” não pode equipará-lo a “Cem anos de solidão”, mas não deixa de perceber que tem ali uma pequena pérola! 

Talvez este exercício seja menos líquido no que toca a jogos, mas eu faço-o. E por isso não tenho pejo em colocar um “Hansa” nos meus favoritos. 

A vida, pelo menos a minha, não é compartimentada. Os jogos, mais até do que os livros, não existem em separado de tudo o resto. Porque é preciso tempo e são preciosas as pessoas que connosco jogam.
Quando vamos de férias em família, quando me reúno com os meus cunhados em casa dos sogros ao domingo à tarde, quando é 15 de agosto e há pic-nic na mata ou quando recebo amigos, os melhores títulos são um “Mamma Mia”, um “Patricier”, um “Thurn and Taxis” ou um “Cartagena”, já para não falar no “Ticket to Ride” ou no “Dixit”! 

Por isso fico sempre muito contente quando junto à minha coleção um joguinho que consegue ter algo de diferente e cativante, ser fácil de explicar e de entender e não demorar uma eternidade… Se esse joguinho, além disso, der para colocar numa pequena mesa à sombra da parreira, num dia temperado com cervejinhas fresquinhas e amendoins, então, temos uma pequena preciosidade.
Que se pode chamar “OddVille” e ter custado 15 aéreos na loja da LeiriaCon!