Críticas‎ > ‎2006‎ > ‎

Cleópatra

Autor: Bruno Cathala; Ludovic Maublanc
Ano: 2006
Editora: Days of Wonder

INTRODUÇÃO

Uma das mais recentes produções da Days of Wonder, Cleopatra é um jogo muito bonito, de jogabilidade simples e que explora um momento da história para lá de Cristo. É verdade. É muito tempo...

MATERIAL

Abrir espaço nesta crítica para falar do material de jogo, podendo parecer algo desnecessário, não o é. E não o é porque Cleópatra, tal como outros jogos da Days of Wonder, é um título muito bem apresentado, cheio de coisinhas de plástico pequeninas, mas muito bem desenhadas, uma Cleópatra - ela mesma - muito bem apessoada, um templo rigorosamente apoiado num jardim "pseudo-babilónico" e uma muito bem conseguida forma de envolvimento da caixa de jogo. Habitualmente, a caixa de jogo, durante a partida, serve para depositar os restos daquilo que não se vai utilizar ou que já se utilizou. Neste jogo nada disto se passa. A caixa do jogo faz parte da sessão. Incrível até onde pode chegar a imaginação humana! Há ainda espaço, para os mais comprometidos com a ideia, poder pintar, qual nerds, as colunas e as portas do templo, as esfinges, o pedestal e também, numa tarefa mais arriscada pela responsabilidade que encerra, a própria Cleópatra. O jogo, para além desta parafernália de adereços, tem também cartas de bom material e de tamanho razoável, com um desenho muito agradável e, na minha opinião, bem alusivo à época em causa.

60 MINUTOS

O que faz andar Cleópatra são as cartas. No fundo, a ideia base do jogo, é a de construir o templo mais bonito possível para a nossa rainha. Quando ela chegar, o jogo termina e vê-se quem tem mais pontos vitória. O conjunto de coisas que há para construir no templo, em quantidades diferentes, inclui jardins, colunas, portais, esfinges, pedestais enfim, tudo aquilo que um templo egípcio pode e deve ter. Quando cinco destes tipos de construções forem terminadas, significa que Cleópatra chegou ao templo e que o jogo termina. Imediatamente. Para conseguirmos responder a esta empreitada precisamos de juntar várias cartas que, em combinação, nos permitem atingir o objectivo pretendido. Ao querer construir uma esfinge, por exemplo, temos de conseguir juntar xis cartas para alcançar xis pontos vitória. Se quisermos construir um pedestal, para além de conseguirmos mais pontos vitória, também temos de dispender de mais recursos.
No fundo, conseguindo combinações ideais de cartas, podemos fazer de tudo para alegrar a nossa bela princesa egípcia.

O OVO PODRE

Quem chegar em último é um ovo podre. Ok. Este disparate infantil serve para explicar, mais ou menos, aquilo que acontece a quem tem mais pontos corrupção.
Durante o jogo, algumas cartas mais apetecíveis, têm como resultado a acumulação de pontos corrupção. Quem, no final do jogo, tiver mais desses pontos, que permanecem escondidos durante a partida, vai servir de alimento para crocodilo e perde, automaticamente e sem passar pela casa da partida, o jogo.
Em termos ideais devemos tentar ser os segundos em pontos corrupção. Porque significa que usámos os nossos recursos da melhor forma e não seremos comida para crocodilo no final.
Também existem formas de nos irmos livrando desses malditos pontos corrupção ao longo do jogo. Uma das formas é vencer o(s) leilão (s) que possam ocorrer. Sempre que alguém constroi alguma coisa são lançados cinco dados (de cinco faces brancas e uma com um símbolo) e, sempre que algum dado calhe com a face de símbolo, é posto de parte. Quando os cinco dados estiverem com o símbolo há um leilão. Nesse leilão, feito com pontos vitória, quem o vencer tem a oportunidade de descartar um determinado número de pontos corrupção e quem ficar em segundo, terceiro ou outra posição inferior, recebe pontos corrupção. A quantidade de pontos a descartar e a receber depende do número de jogadores.
Uma outra forma de conseguir eliminar os pontos corrupção é construindo jardins. Colocando um tile de jardim e conseguir deixar em aberto uma determinada área, essa área é, dependendo do número de quadrados que ocupa, descontada em igual número de pontos corrupção. Isto só ocorre no final do jogo mas, como está à vista de todos, dá para manter alguma previsão de quem será que vai ser comido pelo crocodilo. Ou, pelo menos, avaliar os riscos pessoais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A forma de jogar Cleópatra é muito simples. Acumular pontos vitória através de construções, utilizando as cartas que vamos conseguindo da melhor maneira, e minimizando os riscos por forma a não perdermos o jogo por sermos os mais corruptos.
Uma hora lúdica, é esse o tempo que, normalmente, dura uma partida, num tema muito bem explorado. A interacção é muito pouca e o timing é tudo. Por vezes tentamos guardar os trunfos para o final e o final não chega a nós. Porque, ao contrário de outros eurogames, neste jogo não se termina o turno de cada jogador. Quando o jogo termina é imediatamente.
Um jogo que eu aconselho, que custa entre 35 a 40€ e que, volto a sublinhar, tem uma belíssima produção fazendo, de alguma forma, justificar o preço.

Classificação: 7
Paulo Soledade

Comments