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Thurn und Taxis


Título: Thurn und Taxis

Autor: Andreas Seyfarth, Karen Seyfarth

Ano: 2006

Editora: Hans Im Gluck


AMBIENTE

Depois do gigantesco fenómeno que foi PUERTO RICO, Seyfarth regressa com este Family Game que arrebatou o prémio de Melhor Jogo do Ano (SdJ). Uma produção conjunta da Rio Grande Games, da Hans Im Gluck e da 999 Games, que resulta num jogo divertido, inteligente e muito bonito. Em termos estéticos é mesmo um dos jogos mais visualmente bem conseguidos a par de CAYLUS e CLEOPATRA AND THE SOCIETY OF ARCHITECTS. Muita qualidade nos meeples, nas cartas e um tabuleiro lindíssimo. Neste jogo, cada jogador procura desenvolver rotas de distribuição para as suas diligências poderem distribuir correio. O tabuleiro apresenta uma Europa Central dividida por várias regiões, cada uma com uma côr distinta, e em cada região destas regiões encontramos uma série de cidades que servem de entrepostos. Para cada Cidade existem 3 cartas e é o conjunto destas cartas-cidade que vão surgindo ao longo do jogo, que os jogadores tentarão adquirir para poder fazer as ligações que mais lhes interessam. O jogo insere-se na Categoria dos Transportation Games e é na sua essência um jogo de gestão de cartas - Hand Management. Fácil de explicar e aprender, o jogo demora entre 60 a 90 minutos a jogar. Mais complexo que um Filler ou um Family Game também não é um Eurogame. É um interessante misto dos três o que o torna um muito apelativo jogo.

ESTRUTURA

Como já havia referido, o jogo assenta sobretudo numa premissa muito simples: Tirar carta do display, accionar um personagem e colocar carta na mesa. São colocadas num display que existe no tabuleiro 6 cartas, o primeiro jogador a jogar escolhe uma carta para si e logo outra é colocada no espaço que ficou vazio. Depois escolhe uma função especial. Existem 4. São 4 personagens (influência óbvia de PUERTO RICO) que têm poderes distintos, a saber: a) poder buscar do display mais uma carta extra; b) poder jogar mais uma carta extra para a mesa; c) descartar as 6 cartas do display surgindo um novo conjunto de cartas; d) poder fazer um upgrade de diligências com menos duas cidades. No início do jogo nenhum jogador tem cartas, logo toda a gente acciona a personagem que permite retirar 2 cartas, para assim se começar a construir na mão uma rota que dê pontos. Uma vez que somos sempre obrigados a jogar uma carta e que todas as cartas jogadas têm que estabelecer uma ligação directa entre si, é importante saber escolher as cartas que realmente interessam. Se por exemplo, um jogador tem na mesa uma rota com as cidades B-C-D quando chegar a sua vez de jogar ele vai estar à espera de encontrar a carta A ou E, se esta não aparecer e uma vez que é obrigatório sempre jogar uma carta, o jogador perde a rota iniciada e terá que recomeçar uma nova. Outro aspecto interessante é que o jogo obriga os jogadores a construir rotas cada vez maiores. Primeiro fazemos uma rota com ligação entre 4 cidades, a seguir para fazer o respectivo upgrade teremos de fazer outra de 5 cidades, depois 6 e por aí em diante. Quanto maior fôr a rota conseguida mais se pontua. Depois existem uma série de bonificações que tornam o jogo ainda mais interessante. O primeiro jogador a fazer uma rota de 5 cidades tem um bónus de 3 pontos, por exemplo, se a seguir outro jogador fizer uma rota de 5, já terá uma bonificação menor. E é aqui que o jogo obriga os jogadores a uma estratégia ponderada e equilibrada: jogar para os bónus ou jogar para as rotas?

NOTA FINAL

O factor sorte existe e muitas vezes deparamo-nos com um sentimento de frustação imenso por não aparecer aquela carta que tanta falta faz. Mas ainda assim o jogo deixa em aberto algumas possibilidades e muitas vezes a nossa única opção transforma-se na ira de outro jogador que já tinha essa carta debaixo de olho. Divertido e inteligente, e por pouco mais de €20, THURN UND TAXIS é um jogo obrigatório para quem gosta de Board Games. Combina sorte com estratégia e é uma experiência de jogo muito bonita.

Classificação: 8

Luis Costa

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