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The Cradle of Renaissance




The Cradle of Renaissance

Este é um jogo que nos chega de uma pequena editora - DDD Verlag, sendo que é um filho único. O jogo tenta recriar os anos d’ouro do Renascimento. Cada jogador representa uma família de aristocratas que patrocina a criação de eventos ou obras fantásticas e que com os seus artistas tenta trazer para si o máximo de pontos de reconhecimento global, roubando-os assim a outras famílias concorrentes.

Este é um jogo diferente do normal. Para começar, não é fácil colar-lhe etiquetas. É obviamente um jogo de cartas, mas além disto é complicado defini-lo. Não é um area-control, será mais um worker-placement?!?!? Tem hand management, que tem, mas será mais um set collection?!? Sinceramente não consigo colar lá nada.


Os Componentes

Os componentes são simples mas de qualidade aceitável. As cartas são bem melhores que as do agrícola, e as nossas pedras (??!) de influência e o génio são de madeira. Não há muito mais a dizer.

Existem 3 tipos de cartas:

Eventos – São o nosso objectivo. Os eventos podem ser culturais, de personalidade ou mistos. Os eventos estão associados a um ou mais símbolos, significando que são religiosos, políticos, descobertas cientificas, etc..

Cultura – Cartas que simbolizam avanços culturais, normalmente com um símbolo apenas, mas onde existem alguns (poucos) exemplares de 2 símbolos iguais ou mesmo diferentes (jokers).

Personalidade – Cartas que representam uma personalidade da época (Da Vinci, Michelangelo, Infante D. Henrique, etc). É verdade temos mesmo um tuga no jogo ;)

As pedras de influência além de significarem a nossa contribuição para a realização de um evento, significam também os nossos pontos de vitória. 

O Jogo

O jogo tem 2 fases principais. Colocar uma pedra de influência e executar acções com cartas.

Como é que isto tudo funciona? Os jogadores disputam entre si a realização de eventos. Estes podem ser criações admiráveis, eventos políticos, religiosos, financeiros, etc. Normalmente um evento pode ser disputado em 2 vertentes, com personalidades ou atrás de acções culturais.
Apenas 2 jogadores podem disputar um evento. Assim e quando um dos tipos de espaços (cultura ou personalidade) está totalmente ocupado na carta (evento), existe uma pontuação do evento.
A pontuação e dependo do tipo que é, faz-se avançando cartas de cultura que temos no nosso display, ou cartas de personalidade que temos na mão, ou escondidas à nossa frente.
O vencedor de um evento recebe pedras de influência do seu oponente. Isto significa não só que acabou de ganhar mais pontos, mas também que vai limitar as opções do oponente, visto que o número de pedras de influência é limitado (7 iniciais) e por vezes estas poderão fazer falta para que alguém se possa envolver numa das 3 “batalhas” em que pode estar envolvido.

Pontos Negativos

Vou apenas destacar os pontos que eu considero negativos, não porque o jogo não tem pontos positivos, que tem, mas porque estes serão sempre os pontos que nos levam ou não a jogar um jogo, pelo menos eu penso assim.

Aleatoriedade – MUITA… Como qualquer jogo de cartas, só jogamos com aquilo que nos calha e por vezes, por muitas mãozinhas que possas ter, as cartas não estão contigo. Acaba por ser mais difícil controlar os eventos que nos calham do que propriamente a nossa mão. Em alturas, e por muitas cartas nas mãos ou nos display que tenhas, se o evento que sai é mau, porventura perdes algumas pedras de influência nessa disputa.

Pedras de Influência - O número de pedras que os jogadores dispõe acaba por ser bastante limitativo e em certa altura de jogo, se perdes todas as pedras, porque um dos eventos te tramou, muito dificilmente recuperas, pois não há outra possibilidade de colocar influência no tabuleiro. Com mais 3-4 pedras de influência o jogo não ficaria muito mais caro e tornar-se-ia menos angustiante de jogar.

Tema – Coladinho com um cuspo de baixa qualidade. Por muito que te digam que estás no desenvolvimento do Renascimento, e que tens mestres e eventos culturais em disputa, sendo que é uma família aristocrática a lutar por uma maior influência entre os teus pares, raramente ou nunca sentes isso quando jogas o jogo. O jogo não passa de depositar cubos em cartas e no final ver quem ganha. Família aristocrática ou Pastelaria a criar o melhor bolo, espalhando o melhor açúcar e tendo os melhores agitadores de massas… é um bocado igual.

Comentário Final

Para quem gosta de um jogo pequenino, com poucas regras e sendo estas simples, esta não é de todo uma aposta perdida, pois apesar da simplicidade das regras, o jogo tem alguma estratégia e o factor tempo/diversão é acima da média. 

Agora se acham que depositar cubos em cima de cartas, que temos que ir rezando para que quando saem não nos sejam totalmente desfavoráveis, num jogo completamente abstracto não é a vossa onda, então fujam a sete pés deste The Cradle of Renaissance. 

Nota final: 12/20

BrainStorm

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