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Inovação 2009

Este é um top 5 de inovação. Vamos inventar e dizer que estamos na semana mundial da inovação ou então vamos simplesmente dizer que hoje é o dia nacional da inovação (também é inventado). Depois do plano tecnológico ter criado 400 mil novos empregos, conforme anunciado, o plano ludófilo também criou uns 400 mil novos jogos em 2009 e, não todos mas alguns, com sublinháveis novidades em termos de design.

Este top não é para ser lido de cima para baixo ou da esquerda para a direita. A ordem apresentada é indiferente. Também fica aqui a mensagem subliminar (supondo que estamos no dia europeu do subliminar) das escolhas mais relevantes nesta categoria para Jogo do Ano. A inovação é algo que devemos sempre reconhecer, sobretudo no mundo dos jogos em que milhares de títulos vão aparecendo por ano (muitos sem qualquer tipo de relevância) e, por isso, os mais esquisitos e especiais devem ser apreciados com outro propósito. Cá vai a minha humilde "homage".

1. Automobile - este jogo, embora muitos lhe possam encontrar defeitos (fácil mas injusto), tem na sua génese, ou melhor, na forma de o jogar e na sensação que dá, ímpar originalidade. Não parece porque não vemos nada de realmente novo quando lhe pegamos. Não acrescenta nenhuma mecânica verdadeiramente original, aparentemente. Mas, como eu gosto de dizer, Automobile é um jogo que eu nunca vou conseguir substituir. Não sendo um prodígio de jogo quando nos referimos a equilibrios de, quer de estratégias, quer de número de jogadores envolvidos (é um jogo muito mais interessante a 4 ou mesmo 5 que a 3) não deixa de ser o Automobile. E aqui, a originalidade que eu sinto é a seguinte: posso passar anos e anos a jogar tudo e mais alguma coisa. Posso ter mil jogos na minha colecção mas, o Automobile é o jogo que eu, quando me apetece jogar aquele tipo de jogo, tenho de chamar. Porque é a definição daquele tipo de jogo. Não há nenhum que o substitua. Portanto, cinco estrelas em inovação. O Automobile entra na categoria de jogos Automobile.

2. Dungeon Lords - Este é um caso em que, na minha opinião, o jogo nem é assim tão bom quanto isso. Acho-o até, por vezes, fraquinho pela falta de interacção que tem (se lhe quisermos retirar a mecânica da escolha de acções). É um jogo original pelo tema (jogamos pelos maus) e pelo facto de ter, também, uma sensação única quando o jogamos. Podemos comparar a outros jogos em que há uma força externa que nos tenta aniquilar e nós temos de nos defender mas, a forma como o jogo nos desarma na estratégia séria que é suposto termos, torna-o diferente. Não é jogo que me estimule muito a jogar, até porque é, como eu gosto de dizer, barulhento (sobretudo o tabuleiro) mas, acho-o bem feitinho para o destino a que se propôs.

3. God's Playground - muitos acharão que o Sr. Wallace está sempre a mais nestas listas em que, provavelmente, há um excesso de fanzocas por detrás destes textos. É verdade que sou fã. É verdade que não há listas que faça em que ele não esteja presente mas, a culpa é mais dele que minha. Ainda por cima, não gosto deste jogo. Acho God's Playground um dos mais originais jogos que já joguei. Mas acho-o quase um exercício de autor, uma coisa quase académica em que Wallace tentou escrever a história de um País de forma complexa, relevante mas, ao mesmo tempo, demasiado parametrizada e com regras a mais. Um jogo que eu dispenso no seu todo mas que tem ideias muito boas e que também serve o seu propósito.

4. Greed Incorporated - pegando no tema da economia mundial e na trafulhice constante da gestão empresarial, pública ou privada, os senhores Splotter fizeram um jogo com CEO's, CFO's e... cargos importantes para empresas.
As ideias são boas. O motor económico do jogo é mais do mesmo. Tirando o facto das cartas serem jogadas daquela forma e usando os trunfos dos gestores como solução, este motor já foi visto em R&B e Duck Dealer. Mas na forma como os jogadores arranjam dinheiro e na forma como as empresas se gerem, com a promiscuidade com que se gerem, a coisa fica muito divertida e original. Pena é que, para mim, o jogo tenha um desenvolvimento e uma forma de ser ganho tão desinteressante e tão previsível, podendo deixar o melhor jogador para trás e trazendo para a liderança aquele que jogue de forma mais manhosa. Uma pena.

5. Last Train to Wensleydale - uma vez mais um jogo de Martin Wallace. Não consigo evitar. Mas como é que um jogo que tem comboios, entrega de produtos e leilão pode ser um jogo original? Pois. Na verdade é um jogo mesmo muito original porque, apesar de ter tudo isso, tem isso tudo de forma diferente. O leilão é para um objectivo diferente, a entrega de produtos é diferente e, sobretudo e mais que tudo, a construção de linha é diferente. Aqui está mais um jogo que não é substituível. Por muitas voltas que se dêem, não encontramos nada assim. Martin Waalace, é verdade, é o maior designer actual na minha opinião.

Jogos que ficam de fora e que merecem uma menção honrosa são, entre outros, mais um Wallace - Rise of Empires, com a sua escolha de acções das eras A e B. Campaign Manager, com a construção do baralho e a luta pelas eleições num dos melhores jogos de 2 jogadores qe conheço. Vasco da Gama com a escolha de acções numeradas e com a navegação. Power Struggle, também com a sensação única de jogo e com resultados, na minha opinião, brilhantes.

Foi um ano muito bom em termos, quer de inovação, quer de resultados finais. Alguns jogos excepcionais, muitos jogos bons, imensos jogos merdosos, como sempre.

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