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Essen - Primeiro Tomo

Publicado a 02/11/2011, 09:04 por Nuno Bizarro Sentieiro   [ atualizado a 06/11/2011, 15:43 ]
De regresso de Essen alguns títulos começam, aos poucos, a chegar à mesa. A curiosidade aliada a pré-disposições e à disponibilidade de um sempre imperfeito quorum  levaram alguns jogos a furar a fila e chegar-se à frente. Estas são apenas breves considerações baseados em impressões de "first date".


Trajan
by Stefan Feld 

Não sou um grande fã de muitos títulos do sr Feld. Reconheço que procuram sempre aliar mecânicas originais ao género "euro" denso e estratégico - imagem de marca Alea. Essa obsessão relega quase sempre o tema e a sua implementação para patamares do "isto podia ser sobre criar porcos numa quinta do Kentucky..." 

Trajan não foge à regra - é sobre o que quiseres que seja. Conceptualmente é um exercício "masturbatório" de grandes mecânicas, algumas com um toque de génio, sempre com pequenos ajustes e detalhes que revelam precisão cirúrgica na criação de experiências de jogo. 

Com tantos jogos dentro do jogo sobressai a mecânica Mancala meets Rondel - algo tão estúpido e desnecessário que acaba por fazer todo o sentido e levar à eterna pergunta: "- Porque é que não me lembrei disto antes..." .
O jogo tem tanto a acontecer, em tantos sítios, de tantas maneiras diferentes, que deixa um sensação de deslumbre no jogador - bem como um TILT cerebral. Para domar este bicho vão ser precisos mais jogos, e um jogo que, apesar de te queimar o cérebro, te leva imediatamente a querer voltar a jogá-lo, a fazer melhor, só pode ser bom - resta saber se é MUITO bom... 8/10




Singapore by Peer Sylvester

Do designer de um grande pequeno jogo - King of Siam - Singapore tem tudo para ser um grande jogo: regras simples, tema e arte. No entanto, parece ter sido tão "polidinho" para ser "user friendly" que se tornou vazio, aborrecido e por vez desinspirado. E é pena, porque na sua génese, a mecânica base do jogo de colocar tiles e executar acções num tabuleiro-acções em evolução constante (em número e força) é muito bem conseguida.

Na verdade o jogo demora 30 minutos mais do que deveria, repete-se, vezes sem conta e as particularidades-excepções das regras, apesar de teoricamente bem interessantes, revelam-se inócuas e vazias de sentido no objectivo do jogo. 

Não que o jogo seja mau, não é, mas promete tanto que deixa aquele gostinho de "podia estar aqui um jogo do camandro" - e no final é apenas mais um eurogame para "famílias alemãs"... 6/10



 

Tournay by Sébastien Dujardin, Xavier Georges e Alain Orban

Aqui estava um dos mais aguardados do ano, pelo menos para mim. Depois do genial e refrescante Troyes, o segundo jogo da editora e do trio de designers prometia muito.

Inspirado na arte e alguns conceitos chave do seu antecessor, Tournay é na verdade "apenas" um jogo de cartas. Muitas mecânicas curiosas, muitos detalhes decalcados de Troyes, e, mais que tudo, muitos símbolos e porriolas impressas em cartas que significam muita coisa que nunca é aquilo que parece ser... Confuso ? Sim, muito confuso.

Para um jogo de cartas rápido e com decisões estratégicas, Tournay apenas cumpre no capítulo das estratégias. Perde aquilo que podia fazer dele um inacreditável sucesso - a fluidez - em símbolos e acções confusas que nem sequer num player aid bíblico se conseguem descortinar. Tem sumo QB para fazer laranjada da boa, mas acho sempre que estou a espremer maçãs ... e no final um copinho de água fresca - Luso - mas ainda assim : Água. 6/10




Old Men of the Forest by Martin Wallace

Sem expectativas, outras que não - "apesar de tudo isto é um Wallace", avancei para este joguinho de cartas despreocupado. Era para ajudar o orangotango e tudo... 

Bem giro, rápido, com uma dose de caos - talvez um pouco mais de controlo não fosse pior - e divertido. 
Por 10 euros aqui está mais um jogo de bar - na linha de Und Tchuss... para jogar com uma cerveja na mão... 6/10





Coney Island by Michael Schacht

Mais um jogo do criador de alguns dos melhores jogos de estratégia com poucas regras, rápidos e com bastante densidade estratégica. Michael Schacht volta em Coney Island a acertar em cheio na receita para o sucesso. O jogo tem turnos rápidos, decisões e tensão, diluídos em meia dúzia de regras simples que resultam num jogo médio bem interessante.

Com um tema colado a cuspo, o jogo tem como principal defeito a sua melhor característica - a rapidez e voracidade do fluxo de jogo. Os turnos são tão rápidos que damos por nós a jogar antes de nossa vez ou a gritar despacha-te ao vizinho do lado. 

Com alguns "twists" bem interessantes o jogo é bem divertido e ligeiro mas mantém a linha estratégica e interactiva características imagens de marca do autor. 7/10


Mais opiniões parvas sobre jogos - em breve... 

#nbs#