Jogo do Ano‎ > ‎

2009

Maria

"I am very happy about the Jogo do Ano 2009 for Maria. Thank you very much, dear Portugese gamers. I really cannot believe that Maria has won this award. I am so stunned, because Maria is anything else than a game with simple rules and easy access. Furthermore Maria has a wargame theme, and in the German tradition of gaming it is impossible for a wargame to win a game of the year award. I am also very happy about the award because the best thing which can happen to a game is being played. This gives life to a game. And awarded with a Jogo do Ano it is quite sure that Maria will get more plays in the future. Nothing better can happen to a game (which is always a baby of the designer). This makes me very happy and proud. Furthermore, when I think of the Jogo do Ano predecessors, Maria is now the member in a very good "club" of games: Imperial, Brass and Agricola are certainly highlights which have set a high benchmark for the quality of games.
Thank you very much for the Jogo do Ano. I hope Maria will keep enjoying you gamers. And my best wishes from Berlin."
Richard Sivél


MARIA é o grande vencedor do "Jogo do Ano 2009". Alguns ficarão surpresos por estarmos a falar de um jogo de guerra, algo distante daquilo a que estávamos habituados a ver premiados com o Jogo do Ano Spiel Portugal mas, na verdade, todos nós procuramos distinguir os melhores. Às vezes, os melhores são mesmo assim: jogos de guerra.

Ao autor, Richar Sivél, uma felicitação muito especial porque, para além de ser um designer talentosíssimo (para quem já antes conhecia Firedrich, reconhece-lhe o talento de que falamos), estamos em presença de um "one man show" que publica os seus próprios jogos com o risco a isso inerente e que não perde a oportunidade de nos dar o melhor que tem para oferecer.

Enche-nos de orgulho entregar este prémio a tão dedicada personagem ao mundo dos jogos e, ainda por cima, com este jogo, um jogo que todos nós, concerteza, achamos, veio prestigiar a nossa galeria de premiados de Jogo do Ano. Parabéns Richard Sivél. Parabéns Histogame.


A eleição...
O júri que elege este prémio tem como representantes os elementos pertencentes ao spielportugal. Cada um destes representantes escolheu um conjunto de dez jogos (produção de 2009), colocados por ordem de preferência, para submeter a votação. Depois de encontrados os 5 mais votados, interligando todas as listas, fez-se uma votação para encontrar o vencedor.

Cada um destes 5 jogos finalistas, foi apreciado, considerando variados parâmetros e pesando sobre eles factores objectivamente distintos:
Produção - 15%
Tema - 10%
Mecânicas - 10%
Rejogabilidade - 10%
Interacção - 5%
Tempo/Diversão - 50%

Todo o regulamento do prémio, aqui.

Eis os resultados finais (0/20):


O grande vencedor de Jogo do Ano 2009 é, portanto, Maria. O autor, Richard Sivél, irá receber o troféu, criado para o efeito.

Comentários...
Eis também algumas reacções internas à consagração de Maria:



"Maria é uma daqueles casos de amor à primeira vista. Componentes de luxo, um tabuleiro perfeito, a arte adequada que salta à vista, intuitivo, complexo, de mecânicas simples mas originais...

Ao primeiro jogo, Maria, tinha-me conquistado. A vontade de o voltar a jogar, de contornar a história, de reparar os erros, de me adaptar à força e aos terrenos de batalha era enorme. Um jogo de potências assimétricas equilibra-se de uma forma brilhante, assente numa mecânica muito bem desenvolvida, mas acima de tudo numa componente "jogador" essencial - o equilíbrio está lá, é preciso saber encontrá-lo - não procurar a vitória fácil ou um ataque óbvio mas jogar nas entrelinhas da história, na esquizofrenia recorrente do poder, da intriga política, da guerra... jogar com a força, mas acima de tudo com a possibilidade de a usar, saber perder, recuar, esconder o óbvio...

Jogo do Ano claro, sem dúvidas, mesmo para alguém que, como eu, não gosta particularmente das vicissitudes de um típico wargame. Maria não é para dois, não tem dados, tabelas, linhas de abastecimento castradoras... Tem o sabor histórico, tem o confronto, mas vive de tensões, de equilíbrios, de um jogo do rato e do gato onde o jogador é simultâneamente caçador e presa, atacante e defensor, diplomata e intransigente, aliado e inimigo, bélico e pacificador, forte e fraco..." 
Nuno Sentieiro


"Quando em Essen, no ano passado, o autor assinou a caixa de Maria, (também é o nome da minha filha) escreveu: "Have fun with Maria". Desde aí achei que iria ser sempre um jogo especial para mim. Não me enganei. A originalidade que o jogo tem não é muita. Firedrich já tinha a mesma mecânica, o sistema de combate de cartas. Mas conseguir montar um jogo com tal complexidade em torno de 3 jogadores, todos eles com objectivos distintos e diferenciadores, é uma tarefa que merece ser reconhecida e louvada. Quanto mais não fosse, por isso, já o prémio seria mais que merecido. Articular todos os detalhes da história num tabuleiro absolutamente incrível, é uma faceta só ao alcance daqueles predestinados que acertaram na missão.
Maria, um nome especial, num jogo especial. Intemporal e, ao mesmo tempo, um livro em jogo, uma história por contar, inúmeras vezes, de inúmeras formas. E com o objectivo muito mais que cumprido: proporcionar bons momentos a quem o joga. Agora, sou eu a dizer: have fun with Maria." 
Paulo Soledade


"Maria é um jogo que apesar de não ter, aparentemente, nada novo é um jogo em tudo diferente de Friedrich. A mecânica é a mesma com algumas ligeiras alterações. Um mapa (lindo diga-se), dividido em áreas, cada uma com um naipe de cartas. Blocos que se deslocam por esse mapa numa mecânica point-to-point. Quando dois blocos “inimigos” estão adjacentes há uma batalha que se resolve com cartas que se vão obtendo no início do turno. Simples, contudo eficaz.

O jogo, ao contrário do seu predecessor, é muito equilibrado e para isto contribui uma das coisas mais brilhantes deste jogo, o jogador esquizofrénico. Além disso a componente política é também diferente (para melhor) e num jogo algo demorado para os nossos standards os jogadores nem sentem o tempo a passar. Estão sempre envolvidos o que é algo brilhante. A juntar a tudo isto é bastante simples sendo que alguém sem muita experiência pode ganhar. Sem dúvida foi o melhor jogo de 2009 que eu joguei. Desta vez o Sr. Richard Sivél acertou em cheio.

Quanto aos outros nomeados, devo reconhecer que o Vasco da Gama me impressionou bastante nas primeiras vezes que o joguei, mas as últimas experiências já não foram tão agradáveis. Ou seja, o primeiro impacto é muito bom, mas na minha opinião, o jogo perde um pouco esse fulgor à medida que se joga, sem deixar contudo de ser um excelente jogo.

O Rise of Empires é “estranho”. Tem a uma mecânica excelente (Turnos A e B), mas depois o resto não é de todo brilhante. Então quando é jogado a 3 isso nota-se por demais. Acho que uma simples alteração de regras, com a exclusão de um ou outro tile e funcionaria muito melhor. Sendo assim, acabou por me desiludir um pouco. Last Train to We…. é um jogo de comboios, mas diferente do habitual. Aqui ao invés de construir uma linha para a nossa companhia, estamos a construir para depois vender ao estado. O timing da venda e o que vender são fundamentais. Um jogo muito interessante e que requer alguma experiência, mas bastante acima da média do que saiu este ano, na minha humilde opinião.

Deixo para o fim o Automobile. O jogo é bom definitivamente, mas não é o meu estilo. É muita conta, muita matemática. Mão me divirto a jogar, embora reconheça que é bom. A track de construção dos modelos, a escolha dos personagens, as acções, etc… Se tivesse menos contas e era sem dúvida um dos melhores. "
Carlos Ferreira


"Depois das críticas positivas em redor de "FRIEDRICH", Sìvel resolveu aprumar o seu original mecanismo de combate e trazer ao mundo, e a nós, um temático e intenso jogo de guerra baseado na guerra da sucessão austríaca. É um jogo para três pessoas, que utiliza as mesmas mecânicas que conhecemos do seu jogo anterior, mas que introduz um módulo novo, que diz respeito à politica e à intriga. Um desafio temático brilhante, um jogo cheio de tensão e suspense, assim é "MARIA", o mais recente design de Richard Sìvel e da Histogames. Se na forma se parece em demasia com o seu irmão mais novo, na prática é um jogo muito menos assimétrico, mais justo, mais desafiante e fluído. Destaque também para a bonita arte final, que o transforma na muito agradável experiência de jogo." 
Luís Filipe e Costa


"Maria, um nome bem português! Quando o joguei já tinha jogado praticamente tudo, se não tudo, o que poderia ser eleito o ‘Jogo do Ano 2009’ do SpielPortugal e ainda não tinha havido um verdadeiro ‘click’.

Confesso que, quando o joguei, já tinha lido uma magnífica rescensão do Soledade acerca deste jogo. Por isso já ía com a sencação/convicção de que este é que era o jogo de 2009. E não me enganei! Sento-me e é-me apresentado um fabuloso tabuleiro, belíssimas cartas e poucos tokens , mas suficientes e o conjunto, no seu todo, muito funcional e agradável à vista.

Regras simples e uma excelente interacção. Uma mecânica notável na resolução de batalhas, que são bem tensas. Adorei este jogo. Quando terminámos jogava-o de novo logo a seguir. Talvez seja um ‘remake’ do Friederich, mas é como os Prémios Nobel: muitas vezes só são atribuídos vários anos depois de feita a obra. Contudo, esta é outra obra: a de Richard Sivél com Maria Teresa de Áustria como principal protagonista.

Para quem achava que a Maria era ingénua e incapaz, pois bem, aqui fica a resposta: Prémio de ‘Jogo do Ano 2009’ do SpielPortugal, e bem, muito bem mesmo!" 
Paulo Inácio


"Maria” transporta-nos para outro tempo e outro espaço. Essa característica não é menor, é, para mim, aquilo que primeiro sobressai no jogo e ainda o que perdura após o desenlace do mesmo.
Tudo o resto é muito bom também, claro, mas este mergulho na história é tão atractivo para quem ainda sonha aos 40 anos com aventuras, romances e batalhas, que apetece pedir ao senhor Sivel que invente mais uns Marias. E atendendo a que a senhora teve 11 filhas com esse nome a coisa até pode assumir contornos literais! A minha escolha para jogo do ano recairia em Vasco da Gama. Para além da incontornável fatia de simpatia que imaginário e arte despertam imediatamente a qualquer incorrigível sonhador português, realço a coragem das mecânicas assumirem alguma complexidade que, ainda que escorreita, teria levado muito autor a aligeirar a coisa.
Mas Maria é um vencedor oportuno. Traz novidade ao prémio e, com a imodéstia que a minha ainda fresca chegada ao Spiel Portugal permite, honra e enriquece de forma especial esta iniciativa." 
José Carlos Rôla

Comments