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2011

O Spiel Portugal tem a honra de anunciar ORA ET LABORA como vencedor do troféu de "Jogo do Ano" 2011. Parabéns ao autor Uwe Rosenberg pelo seu segundo troféu de Jogo do Ano (Agricola - 2009) , bem como à editora Lookout Games pela distinção. Ora et Labora entra assim na galeria de notáveis, sucedendo a Troyes - Jogo do Ano 2010.

Ora et Labora, 1 a 4 jogadores, com a duração de cerca de 120 minutos, editado pela Lookout Games na feira internacional de jogos - Essen 2011, rapidamente colheu simpatias no universo dos jogadores de todo o mundo. 

O prémio de "Jogo do Ano" está já na sexta edição.


Uwe Rosenberg


"Nowadays a lot of new exciting games appear on the market every year. Therefore every national prize is of growing importance. I am especially glad for “Ora et Labora” winning the Portuguese award, because I tested that game together with you personally in Portugal. These were the last, decisive tests, which inspired me to rework on some buildings to make them perfect. In total, I worked on “Ora et Labora” for three years, which was longer than on “Agricola”. At the end of that time, the development process coincided with the birth of my son. Those were emotional weeks indeed. Remembering these weeks lets me enjoy your award in a special way."



Spiel Portugal Dixit

Este ano a escolha de jogo do ano foi difícil. Se, noutros casos, a escolha tornar-se-ia óbvia (mais ou menos) a partir do primeiro par de partidas, este 2011 apareceu mais opaco que o habitual. Não que os jogos a concurso sejam menos bons mas sim porque as assimetrias são menos sublinhadas.

A concurso tínhamos o Village e a sua mecânica de escolha de acções interessantíssima. O mais importante da escolha deve estar sempre do lado melhor do que se abdica e Village traz isso.
Eclipse é o épico das estrelas com um mecanismo a lembrar Through the Ages. Algo solitário até chegarmos ao inevitável lançamento de dados que o jogo, teimosamente, deixa prevalecer.
Olympos é o concorrente menos pesado e mais pastel. Bem oleado, sem espinhas, com uma pirâmide de construção e evolução bem pensada. Pena que a sua rejogabilidade não pareça suficientemente forte e nem o seu grau estratégico. Muda-se de jogo sem pensar no anterior e isso, prejudicou-o.
Trajan traz o cúmulo das mecânicas. De todas as formas possíveis e ainda mais, ganhamos pontos. Tudo é bom, tudo dá pontos mas tudo se torna demasiado igual porque não há adaptação suficiente entre as escolhas de cada um e o contexto do jogo. Escolha após escolha e jogamos no nosso próprio espaço mental, independentemente do que o jogo nos oferece. Um Mancala pessoal é o grande desafio de Trajan. E o tema, bom, o tema, é inexistente.
Ora et Labora acaba por sair vencedor. Um jogo que repete um autor na galeria de premiados (Uwe Rosenberg) que, indubitavelmente, se tornou num caso sério nesta indústria, muito por culpa e a reboque do enorme Agrícola.

Ora et Labora não é um prodígio de inovação mas a sua elegância, sobretudo considerando o seu 'peso', é de realçar. Muito pouco genial mas bastante competente. Um jogo de jogadores, à imagem deste prémio Spiel Portugal, estratégico, denso e de trato fácil - meia dúzia de regras gerais e todos a jogar.
Saia o fumo branco porque temos vencedor. Troyes morreu, viva Ora et Labora! 

Paulo Soledade



Ora et Labora parece fruto de uma audaciosa redução da simplicidade viciante de Agricola com a complexa conjuntura económica de Le Havre. Com as devidas diferenças: a colheita torna-se uma necessidade e não uma obsessão, os produtos um elemento, ao invés de uma repetição. O autor consegue cozinhar estes ingredientes à sua maneira, com cartas, fórmulas, motores e escolhas - apresentando a receita final num elegante Rondel de assinatura gormet. Uwe Rosenberg não inventou a Nova Cozinha, assina antes um prato típicamente seu, temperado com interacção QB e bebendo da escola culinária da lúdica Alemanha. 

Para mim, sem dúvidas, um prato principal, de estrelas Michelin.

Nuno Sentieiro



Há jogos mais simples, daqueles que se diz serem familiares, que são tão bons quanto o mais complicado dos jogos de tabuleiro. E há jogos complexos que são bons na simplicidade que encerram. As escolhas deste ano associam belíssimos exemplos de ambos.

Joguei Ora & Labora pela primeira vez numa destas tardes de verão. Mesa no terraço, à sombra de um panal às riscas que poderia ter sido retirado duma qualquer campanha de “Trajan”. Reconhece-se de imediato o desenho de Uwe Rosemberg em cada regra e na elaborada explicação de todas elas. Na mecânica escorreita, trabalhada até ao equilíbrio de cada edifício. Numa segunda oportunidade já se percebe que a profusão de cartas é um painel de escolhas, todas válidas. Como as que a roda da vida nos apresenta dia após dia, ano a após ano, no trabalho da quinta ou da “Village”. E dá vontade de o voltar a colocar na mesa. De procurar otimizar as escolhas, o puzzle e os voos intergalácticos que temos de fazer entre os montes “Olympus” que cada jogador vai criando no seu espaço sobre a mesa.

Ora & Labora não faz um “Eclipse” sobre todos os outros jogos do painel Spiel Portugal de 2011. Antes pelo contrário, ajuda a perceber o brilho que cada um daqueles apresenta. Basta abrir as caixas!

José Carlos Rôla



Na sequência de jogos como AGRICOLA, LE HAVRE, AT THE GATES OF LOYANG e MERKATOR, o senhor Rosenberg mantém firme a capacidade inventiva e mais uma vez nos faz regressar a um mundo medieval e campestre onde o objectivo é produzir recursos que transformamos noutros para podermos adquirir pontos. Convenhamos, a fórmula não é nova e há quem veja neste jogo muito do que já foi feiro em LE HAVRE. E na verdade isso é um pouco verdade, este ORA ET LABORA que agora premiamos tem muitas reminiscências do LE HAVRE, mas é um jogo diferente ainda assim. Tem a complexidade estratégica do anterior sem a angústia do erro fatal pela busca da comida e adiciona-lhe uma componente de puzzle muito interessante. Para além do mais, tem um mecanismo novo que é simplesmente fabuloso, a roda da produção de onde os itens vão sendo adquiridos.
Parabéns a Rosenberg por mais uma criação de qualidade que nos vai deliciar por muito tempo ainda.

Luís Costa



Pela primeira vez temos um repetente como vencedor do jogo do ano. Uwe Rosenberg voltou a acertar com o seu Ora & Labora. 

Este jogo que no essencial é similar ao seu Le Havre mereceu este ano o prémio de Jogo do Ano. Para mim este jogo é muito inteligente na forma como utiliza a colocação dos trabalhadores e a forma como os produtos vão entrando em jogo. Não é tão penalizador na forma como se sente o jogo devido à falta de produtos, mas no final essa necessidade de produtos é evidente nas contas. A forma como a manutenção é feita (colocação de aldeias) leva os jogadores a não temerem pelo facto de não a poderem pagar, mas no fim são as aldeias que produzem a grande maioria dos pontos de vitória. Não há aperto… mas também não há vitória. Para a produção do jogo vai a nota mais “negativa”. Os terrenos mereciam uma board a sério e não umas folhas de papel mais grossas e as cartas são manifestamente pequenas. Mas isso acaba por ser um pequeno detalhe num BOM jogo.

Quanto aos outros nomeados, uma palavra para o Trajan. Um jogo na minha opinião muito bem feito. Com imensas mecânicas que se interligam muito bem. Pena o tema não estar lá.
O outro jogo a merecer uma menção especial é o Eclipse. Um jogo acima da média, mas que na minha opinião tem alguns “erros” graves. A falta de pontos de vitória é manifestamente o maior e a obtenção de 30% destes de forma aleatória com as batalhas só o agrava. A ordem de turno é também algo a rever… digo eu. O Village também está muito bem pensado, especialmente na forma como os trabalhadores vão morrendo. Falta-lhe um pouco de emoção. O Olympos é um Euro clássico com penalizado por ser um pouco leve demais para os nossos gostos, mas a sua execução é muito boa.

Parabéns aos 5. E parabéns redobrados ao senhor Uwe.

Carlos Ferreira



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